O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem que vai insistir na quebra do sigilo contábil do Partido dos Trabalhadores (PT), mas não como prioridade. ?O requerimento está na pauta, mas eu nem coloco como prioridade. Parece que eu estaria incidindo em cima do PT e eu não tenho essa intenção. Não quis causar alvoroço em ninguém?, disse Serraglio. Ele informou que será pedida a quebra de sigilo do PT Nacional nos últimos cinco anos.

O deputado não descartou a possibilidade de também pedir a quebra do sigilo contábil de outros partidos. ?Acho que é possível, principalmente em relação ao PSDB.? Neste caso, a investigação seria no diretório estadual, ?no episódio Eduardo Azeredo?, disse o relator, ressaltando que a CPMI se restringe a investigações nacionais, e não estaduais.

Serraglio mostrou-se interessado em uma manifestação da Polícia Federal (PF) sobre a chamada lista de Furnas. Ele questionou se a PF tem uma perícia para saber se a lista é verdadeira. Segundo o deputado, o lobista Nilton Monteiro, que entregou a lista de Furnas à PF, ofereceu-se para comparecer à CPMI. ?Isso aqui não é um palco. Se ele tiver um recibo verdadeiro, que apresente à PF e aí nós passamos a ser provocados. Nós não damos palco para ninguém.?

O relator informou que, depois do Carnaval, os integrantes da CPMI vão se reunir para definir a conclusão das investigações. ?Tudo o que estabelecemos é que na primeira semana depois do Carnaval nós vamos nos reunir para dar uma afunilada. Temos de ser pragmáticos?, afirmou. A CPMI dos Correios deve incluir mais 10 deputados no relatório final.

Os integrantes da CPMI dos Correios guardam em segredo essa lista de possíveis beneficiários de recursos desviados dos fundos de pensão e devem dar publicidade ao documento somente no relatório final. Esse relatório deve conter a relação dos parlamentares envolvidos no esquema. O primeiro beneficiário a aparecer foi o deputado Nilton Baiano (PP-ES). De acordo com a revista Veja, o assessor do deputado teria recebido R$ 100 mil. Porém, integrantes da CPMI dizem que o valor correto seria R$ 400 mil, utilizado para cobrir gastos na campanha para prefeitura de Vitória. Outros nove parlamentares estariam na lista. Como a CPMI está a um mês da apresentação do relatório final, nenhum dos envolvidos deve ser convocado ou terá os sigilos bancário e fiscal quebrados. A investigação do assunto passaria, portanto, para o Ministério Público.