Às vésperas da manifestação popular pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, os 12 maiores sindicatos do País se uniram na elaboração de um documento que será distribuído nesta sexta-feira, 14, para defender a democracia e o crescimento econômico. Esses sindicatos, que pertencem às seis principais centrais do País, assinam o “Chamado ao diálogo pela democracia, por crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento nacional”, a que o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, teve acesso.

No documento, os sindicatos citam o “calendário eleitoral”, a “estabilidade institucional” e os “fundamentos constitucionais”, em uma indicação clara de defesa do governo Dilma Rousseff, cujo mandato termina em 2018, mas é questionado pela oposição, que alega possíveis crimes de responsabilidade fiscal nas contas de 2014, as “pedaladas fiscais”. O caso espera análise do Tribunal de Contas da União (TCU), em decisão que poderá impulsionar um pedido de impeachment da presidente no Congresso.

Os 12 sindicatos afirmam que o País precisa voltar a crescer e distribuir renda para que o emprego formal volte a aumentar. “Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição básica para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico”, escrevem os sindicatos.

Entre as adesões estão os sindicatos dos metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, e dos metalúrgicos de São Paulo (ligado à Força Sindical), além dos Comerciários de São Paulo, ligado à União Geral dos Trabalhadores (UGT). Juntas, CUT, Força e UGT representam mais de 5 mil sindicatos e têm ligações partidárias completamente distintas.

Enquanto a CUT é ligada ao PT e apoia o governo Dilma, a Força Sindical tem o presidente filiado ao Solidariedade, partido cujo presidente nacional, o deputado Paulinho (SD-SP), é um entusiasta do impeachment. A direção da Força ainda conta com sindicalistas ligados ao PSDB, como o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Antônio Ramalho, que é um dos 12 sindicalistas que assinam a carta. A Força também conta com participação grande de sindicalistas do PDT, que, por sua vez, faz parte da base aliada do governo Dilma. Já a UGT, cujo presidente é filiado ao PSD e apoia o governo petista, conta com a direção ligada ao PPS, que defende o impeachment.

Estão representados, também, sindicatos da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Nova Central (NCST) e da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB). A CTB é ligada ao PCdoB e ao PSB, enquanto a CSB é o braço sindical do PMDB.

Os sindicatos citam a necessidade do governo de combater a inflação, reduzir os juros, aumentar os investimentos em infraestrutura e também citam duas pautas próximas daquelas defendidas por empresários, como uma “política cambial que incentive a atividade produtiva” e a “modernização das instituições, das leis e do Estado”.

Ao final, os sindicalistas “conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada a restabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento social”.