O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, negou à CPI da Petrobras falta de supervisão de corretoras e de empresas hoje investigadas na Operação Lava Jato. Segundo Meirelles, o País tem um dos sistemas mais modernos de controle de operação de câmbio e combate à lavagem de dinheiro e que alguns podem ter a “ilusão” de que não estão sendo fiscalizados. “O sistema brasileiro não é avacalhado”, declarou.

Em depoimento à CPI, a doleira Nelma Kodama apontou falhas no sistema de fiscalização do BC e falou sobre as facilidades de atuação junto a corretoras. “Às vezes, as pessoas acham que estão operando e que ninguém está vendo, o que não é verdade”, rebateu Meirelles. Ele destacou que várias empresas apontadas nas investigações já eram alvo do setor de inteligência do BC. “Boa parte do sucesso dessa operação se deve ao sistema brasileiro de (combate à) lavagem de dinheiro”, disse.

O diretor repetiu na CPI que não há risco de uma possível insolvência das empresas envolvidas na Operação Lava Jato comprometer o sistema financeiro brasileiro. Meirelles explicou que o BC faz monitoramentos de cenário para acompanhar situações de risco de inadimplência, falência ou agravamento da situação num ambiente de “estresse econômico”.

Segundo o diretor, o acompanhamento abrange 50 mil empresas que poderiam sofrer impacto em caso de quebra do setor. “Apesar de se tratar de empresas que representam participação significante no PIB, o sistema financeiro suporta essa situação (de crise) porque apresenta níveis robustos de sustentação”, destacou.