O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) deve protocolar hoje três pedidos de informação para saber detalhes sobre as relações da Prefeitura Municipal de Curitiba com empresas que tenham como sócio ou proprietário o presidente municipal do PP, Alberto Klaus, ou algum de seus parentes.

Os pedidos de informação serão feitos diretamente ao Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria-geral da República (PGR), pois seus requerimentos não foram aprovados ontem pela Assembleia Legislativa.

Na Assembleia, Veneri apresentou quatro requerimentos. Além dos três que serão apresentados hoje, o deputado também apresentou os questionamentos à prefeitura.

Este requerimento foi recebido pelo deputado Valdir Rossoni, presidente estadual do PSDB, partido do prefeito de Curitiba, Beto Richa, que se comprometeu a respondê-lo.

Já os outros três requerimentos não foram aprovados porque o líder do governo na Casa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), barrou a votação. Dizendo que “a Assembleia não é delegacia de polícia”, Romanelli propôs que os requerimentos fossem colocados em discussão, o que adiaria a votação. Irritado com a manobra do peemedebista, Veneri retirou os requerimentos para apresentá-los diretamente aos órgãos.

O petista quer que sejam esclarecidas as denúncias a respeito da existência de contratos irregulares entre a prefeitura e a construtora Iguatemi, de propriedade de Klaus.

A empresa é acusada de falsificar documentos para se habilitar em processos licitatórios e de ser subcontratada para prestar serviço à prefeitura, prática proibida pelo edital da obra.

O deputado questiona, ainda, a existência de contratos com outras empresas ligadas à família de Klaus, como a seguradora Plena, dirigida pelo filho de Alberto, Muriel Klaus, responsável pela gestão do seguro de vida dos funcionários da prefeitura.

Da PGR e do MPF, Veneri quer saber se há recursos federais, principalmente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinado a serviços prestados pelas empresas do pepista.

A relação da prefeitura com Alberto Klaus também repercutiu na Câmara Municipal de Curitiba. O líder do PT na Casa, vereador Pedro Paulo, disse que buscará novas provas para emplacar uma investigação na Câmara.

“Nossa bancada não tem poder de fogo para instaurar uma CPI, mas diante de novas evidências, a bancada de apoio não vai poder fingir que não acontece nada”, disse, lembrando que a oposição na Câmara conta com apenas cinco vereadores, contra 32 que apóiam o prefeito.

O líder do prefeito defendeu a prefeitura das acusações. O vereador Mario Celso Cunha (PSB) disse que a operação com a seguradora Plena não é irregular, mas também afirmou que o contrato, que vence no próximo dia 1.º de abril, não será renovado (vide nota abaixo).