Uma das maiores surpresas da lista de secretários nomeados pelo governador Beto Richa (PSDB), o secretário do Planejamento, Cássio Taniguchi disse que também não esperava o convite.

Encerrando mandato de deputado federal, o ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário de Desenvolvimento Urbano do governo José Roberto Arruda no Distrito Federal disse que pensava em encerrar a carreira política, mas não teve como negar o convite e a oportunidade de resgatar sua imagem, arranhada pelo escândalo de corrupção no Distrito Federal.

“Sempre sai arranhada (a imagem de quem participou do governo do DF). Agora, de qualquer maneira, não tive absolutamente nenhum envolvimento. Minha atuação foi exclusivamente técnica, desenvolvi um trabalho muito interessante, reconhecido pelos brasilienses”, disse o secretário, que vê na nova função “uma oportunidade de demonstrar que não tenho nada com isso e para desenvolver um trabalho que sempre imaginei para o Estado do Paraná, que comecei a construir há 15 anos, quando fui secretário”.

Cássio atribuiu à sua capacidade técnica a indicação de Beto para que ocupasse a pasta. “Nesses quatro anos fora do Estado fizemos um trabalho muito importante no governo do Distrito Federal e, também, na Câmara dos Deputados. Essa experiência me credencia a voltar às atividades aqui no Paraná”, disse.

O secretário lamentou a forma como deixou o cargo em Brasília. “Acabou meio complicadamente, mas a experiência que tive lá como secretário do desenvolvimento e meio ambiente foi fundamental. Tive oportunidade de, sozinho, desenvolver um trabalho, junto com uma equipe acadêmica extraordinária, um trabalho importante para Brasília, que estava tomando corpo até que surgiram todos esses problemas de corrupção. Aí, pensei: não tenho mais nada para fazer aqui, não estou envolvido e não vou fazer parte disso, então voltei para a Câmara”.

Além da participação no complicado governo Arruda, Cássio Taniguchi ainda tem de administrar uma condenação por improbidade administrativa imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O Supremo condenou Cássio Taniguchi por irregularidades fiscais no exercício da prefeitura de Curitiba, entre 1997 e 2000. No ano passado, por maioria, os ministros o condenaram a seis meses de prisão, sendo três por empregar recursos em desacordo com os programas a que se destinavam e outros três por fazer despesas não autorizadas por lei.

Porém, o ex-prefeito não foi punido, pois a pena já havia prescrito. Questionado se sua nomeação não ia contra a determinação de Beto de só contar com “fichas limpas” na equipe, Cássio Taniguchi foi categórico: “de jeito nenhum”, e argumentou.

“Isso não caracteriza ficha suja, já foi resolvido pelo supremo, tanto que poderia ter me candidatado se quisesse. Ainda acho que houve precipitação e julgamento político. Foi um julgamento de momento, Meu caso é justamente o oposto de outros políticos que mudaram a destinação de verbas. Eu fiz uma economia para o Estado, estava cumprindo uma decisão judicial do Tribunal de Justiça e acabei condenado injustamente”.

“Sem rompimento”

Além dos problemas jurídicos, a nomeação de Taniguchi surpreendeu, também, por conta do suposto rompimento com Beto Richa nas eleições municipais de 2004, quando o ex-vice foi eleito prefeito, anunciou mudanças e criticou o antecessor.

“Em política, a gente nunca rompe. Sempre tem desentendimentos, filosofias diferentes, mas nada que pudesse abalar minha amizade com Beto Richa. Há sempre ajustes a serem feitos em qualquer estrutura administrativa quando há troca de governo. É natural, não sou ,professor de Deus, havia erros que precisavam ser corrigidos e foram”, concluiu.