Poucas horas depois de ser eleito governador do Rio Grande do Sul em primeiro turno pela coligação Unidade Popular Pelo Rio Grande (PT, PSB, PC do B e PR), o petista Tarso Genro começou a buscar apoios para formar uma coalizão que lhe garanta maioria na Assembleia Legislativa e uma gestão sem sobressaltos.

A iniciativa revela uma nova postura do partido como consequência de duas outras situações: o governo de Olívio Dutra (1999 a 2002), isolado por esmagadora maioria oposicionista na Assembleia, e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que formou ampla coalizão, incluindo antigos adversários.

Mesmo admitindo que havia dormido pouco, o ex-ministro da Justiça ligou cedo para os presidentes do PDT, Romildo Bolzan, e do PP, Pedro Bertolucci, propondo diálogo. Tentou fazer o mesmo com o presidente do PTB, Luis Augusto Lara, mas o telefone estava desligado.

Por ora, Tarso sabe que pode contar com apenas 18 dos 55 deputados estaduais da próxima legislatura. Mas, ao contrário de Olívio, que começou com 20 aliados na Assembleia e não tinha como expandir a base, o governador eleito tem chances de atrair os sete parlamentares eleitos do PDT e acredita poder contar com apoios permanentes ou pontuais de todos ou de parte dos seis do PTB e dos sete do PP. “Vamos convidar o PDT para compartilhar conosco do governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande”, afirmou Tarso.

A proposta está vinculada às afinidades entre os dois partidos, que chegaram a discutir uma aliança antes de o PDT apoiar José Fogaça (PMDB). Os acenos para o PP e o PTB, adversários históricos do PT, são mais cautelosos. “É uma aproximação que queremos fazer”, disse Tarso. “Nós e o PP temos forte base na agricultura familiar e, portanto, há um diálogo pendente a ser feito.” O movimento foi bem recebido pelos dirigentes dos dois partidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.