O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou um processo para investigar os contratos da Manchester Serviço Ltda., empresa que pertence ao senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), com a Petrobras. O procurador Paulo Bugarin, representante do Ministério Público (MP) junto ao TCU, entrou com representação pedindo a apuração das relações entre a empresa e a estatal. O relator do processo será o ministro Raimundo Carreiro. Técnicos do TCU no Rio de Janeiro, onde a Manchester atua dentro da Petrobras, assumiram a tarefa de iniciar a investigação. O processo aberto tem o número 019.190/2011-5.

Na representação, o procurador pede, entre outros pontos, que se apure a legalidade dos contratos que renderam R$ 57 milhões sem licitação à Manchester desde o ano passado, conforme o jornal O Estado de S. Paulo revelou no último dia 3. Bugarin solicita detalhes dos contratos e os motivos que levaram a Petrobras a escolher a empresa do senador do PMDB.

O procurador protocolou seu pedido na quinta-feira e o tribunal divulgou a informação hoje. Será incluída na investigação a fraude revelada ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo que envolve a Manchester, a Petrobras e uma licitação de R$ 300 milhões.

A oposição vai protocolar amanhã pedido de investigação na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal (PF). Nesta manhã, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou à Agência Brasil que também vai investigar as denúncias de fraude. “Todos esses fatos que estão sendo noticiados nos últimos dias serão, sim, objeto de apuração pelo Ministério Público”, disse.

Eunício Oliveira é dono de 50% da Manchester, empresa que doou R$ 400 mil à sua campanha ao Senado em 2010. A reportagem de ontem mostrou que a Manchester soube com antecedência da relação de seus concorrentes na licitação de R$ 300 milhões e os procurou para fazer acordo.

No dia 30 de março, um dia antes da entrega das propostas, um diretor da empresa de Eunício se reuniu por mais de duas horas com a Seebla Engenharia, uma das empresas convidadas pela Petrobras para participar da concorrência, destinada a prestar mão de obra terceirizada para a Bacia de Campos. A Seebla não teria topado um acerto e ofereceu uma proposta de R$ 235 milhões, R$ 64 milhões menor do que a oferta da Manchester. A estatal, no entanto, desclassificou a Seebla e declarou a Manchester como a primeira colocada.