Secretários e deputados aliados ao governador Roberto Requião (PMDB) tiveram acesso integral apenas ontem ao documento distribuído pelo presidente estadual do PT, André Vargas, no encontro do partido realizado no final de semana, em Curitiba. A reação foi de surpresa com o tom definido como “agressivo” de Vargas ao governo. Num dos trechos, o presidente estadual do PT sugere que Requião encorajou a ocupação das praças de pedágio por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e se refere a uma “aparente aliança” entre o governador e o MST. O texto foi um dos pivôs da crise entre o governador e seus aliados do PT.

Vargas também acusa o governador de fazer um “contraponto” ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e de não ser solidário ao governo federal. “Requião é parceiro no sucesso dos atos do governo Lula, mas pouco solidário no momento de combater as críticas feitas ao modelo de gestão da coisa pública adotada pela administração federal do PT”, diz o manifesto do presidente estadual do PT.

Em outro trecho, Vargas cita posições e medidas adotadas por Requião que batem de frente com o governo de Lula. “Requião diz que apóia a reforma da previdência, mas deixa claro que não vai taxar os inativos no Paraná. Enquanto o governo federal debate os transgênicos, ele se movimenta para proibi-los absolutamente”, ataca o documento.

No final da tarde, a assessoria de imprensa do governador classificou como uma “irresponsabilidade” as posições expressas pelo presidente estadual do PT sobre as ocupações do MST. “É a mesma coisa que atribuir as invasões de terra que ocorrem no país ao Lula”, comentou a assessoria.