Salários acima da média de mercado no País aliados à possibilidade de conhecer vários países tem atraído muitos candidatos para trabalhar em navios de cruzeiros. Até o dia 20 deste mês, a empresa Work At Sea – Brasil está recebendo currículos de curitibanos. Entre os serviços oferecidos estão o de camareiro, garçom e recepcionista. O salário mínimo fica entre US$ 800 e US$ 1.000.

A presidente da empresa, Verônica Mesquita, explica que este mercado começou a crescer no Brasil a partir de 1995, quando foi liberada a estadia deste tipo de navio na costa brasileira. Ela comenta que a lei obriga que 15% da tripulação seja de brasileiros. Até agora, já receberam 1.500 currículos de vários pontos do País e os curitibanos estão bem conceituados, passando na frente de gente São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “É o jeito de tratar as pessoas o diferencial”, afirma. Por isso, das 180 pessoas que serão apresentadas à companhia proprietária do navio, que vai ficar em águas brasileiras de dezembro a março de 2004, 70 vão ser de Curitiba.

Mas vencer toda essa concorrência não é nada simples. A experiência não é o mais importante, e sim a fluência na língua inglesa. “Este é o requisito que mais tem barrado as pessoas”, comenta Verônica. O candidato deve ter ainda mais de 21 anos e alguma experiência na área de hotelaria, podendo ser até estágios.

Apesar de a proposta ser tentadora, Verônica alerta que nem tudo são flores. Ela lembra que os tripulantes não têm mesma vida que os passageiros, a rotina de trabalho é extenuante e exige muita força de vontade. Jimmi Vasconcellos concorda com ela. Em 2000 ele trabalhou por seis meses como garçom. Era cansativo, trabalhávamos a média de 12 e 13 horas diariamente”, lembra. A folga semanal se restringia a algumas horas. Mas afirma que o sacrifício vale a pena. Tanto que pediu licença do navio para estudar e tentar posteriormente uma vaga como supervisor de alimentos. “Fisicamente é menos trabalhoso e o salário é melhor”, explica.

Simone Dutra Oliveira, 29 anos, e outros alunos de hotelaria do Centro Europeu, estão participando da pré-seleção. O que mais a atraiu foi o salário. Ela diz que topa encarar qualquer tipo de serviço pela experiência. E se houver possibilidade, pretende seguir com o navio para outros países. “Nas horas de folga dá para descer e conhecer um pouco”, espera.

Verônica diz que o mercado está em expansão. Hoje estão circulando pelo mundo mais de 250 navios. Eles comportam entre 150 a quatro mil pessoas, sendo que o número de tripulantes é a metade do de passageiros. Os interessados podem mandar currículo para www.workatsea.com.br