O Secretário do Trabalho e Emprego, Nelson Garcia, pediu um mês de prazo para deixar o cargo no governo do PMDB. O tucano participou ontem, 6, de um almoço com a bancada estadual do PSDB e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, no restaurante Mangiare Felice, no Centro Cívico. Na reunião-almoço, os tucanos reafirmaram a intenção de fazer oposição ao governador Roberto Requião (PMDB).

Na sessão de ontem à tarde, pela primeira vez nos quase sete anos dos dois mandatos Requião, os deputados tucanos votaram todos no bloco de oposição ao governo na Assembleia Legislativa. A unidade da bancada foi demonstrada durante a votação de um pedido de informações de autoria do deputado Marcelo Rangel (PPS) requisitando ao governo dados sobre transferência de delegados e investigadores da Polícia Civil. O pedido foi rejeitado.

Já o presidente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), Luiz Malucelli Neto, não participou do encontro. Na semana passada, Malucelli discordou da posição da bancada e diretório, que localizaram no governador um dos adversários que estariam estimulando as denúncias contra o prefeito Beto Richa, acusado de manter um caixa dois e comprar apoio nas eleições do ano passado. Malucelli avisou que não deixará o cargo e sai do partido, se for obrigado a romper com o governo.

O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, disse que Malucelli não será expulso do partido ou forçado a deixar a legenda. “É uma questão de solidariedade. Esta é uma decisão solidária da bancada, em favor do prefeito Beto Richa. Não há imposições, mas a manifestação de que iremos caminhar juntos na oposição”, disse o dirigente tucano, respondendo a Malucelli, que o acusou de autoritarismo na tomada de decisões.

Apesar da linha de oposição ao governo, quando se trata da sucessão estadual do próximo ano, o presidente do partido não descarta uma reaproximação com o PMDB em 2010. “Se o PSDB nacional decidir uma aliança nacional com o PMDB, quem é o PSDB do Paraná para se insurgir contra?”, reagiu Rossoni, afirmando que sua análise é “realista”.

Porém, há um ponto inadmissível para o presidente do partido. Ele não vê a menor possibilidade de o prefeito de Curitiba e o governador do Paraná dividirem o mesmo palanque em 2010. “Não tem como o Requião e o Beto se abraçarem. Eles podem aceitar as decisões nacionais dos partidos. Mas cada um terá seu caminho próprio”, afirmou.

Para Rossoni, há duas vertentes no PMDB. O grupo do governador e os deputados estaduais, prefeitos e vereadores do partido. “O PMDB tem bons quadros, uma excelente bancada de deputados e um grande número de prefeitos. Acho que o governador quer mesmo um voo solo”, provocou.