Foto: Allan Costa Pinto

Tasso, Serra, Beto e Alckmin: principais líderes do PSDB durante encontro em Curitiba.

As principais lideranças do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) estiveram ontem em Curitiba para mais uma reunião preparatória para o congresso nacional da legenda, que ocorre em novembro, em Brasília. Tasso Jereissati, José Serra, Geraldo Alckmin, Euclides Scalco, entre outros, foram recebidos pelos tucanos paranaenses Beto Richa, Valdir Rossoni, Gustavo Fruet e Alvaro Dias para discutir o desenvolvimento urbano das cidades.  

Esse foi o sexto encontro promovido pelos tucanos, que pretendem elaborar uma nova proposta para o Brasil. Nos encontros anteriores os integrantes do Partido da Social Democracia Brasileira discutiram temas como a pobreza, meio ambiente, segurança pública, desafios do crescimento econômico e gestão pública. De acordo com o senador Alvaro Dias, ?o PSDB, como partido de oposição, tem a responsabilidade de apresentar alternativas para o Brasil?.

O presidente nacional da legenda fez referência à história do partido, fundado há 19 anos, mas destacou os desafios dessa nova geração. ?Somos o único partido que pode olhar para os objetivos traçados em sua fundação e constatar que 80% do que se pretendia foi alcançado. Agora, com novas lideranças, fazemos a atualização e modernização de nossas idéias?, disse Tasso Jereissati. Essa também foi a linha defendida por um dos fundadores do partido, o ex-ministro Euclides Scalco. ?Com a semente deixada por Mário Covas e José Richa, consolidamos um partido que discute idéias e programas. Eu faço parte do passado, mas os que aqui estão têm a missão de mudar a política brasileira?, comentou.

Um dos responsáveis por essa modernização do partido, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aproveitou a reunião para apresentar algumas idéias. Ele defende a descentralização do poder: ?Precisamos radicalizar. O Brasil é um país continental e não funciona com governo centralizado?, argumentou, ao criticar o volume de receitas tributárias nas mãos do governo federal. Na avaliação do tucano, a defesa da descentralização deve ser uma das principais bandeiras do PSDB. ?O Brasil aumenta impostos e mais dinheiro vai para quem está longe do povo?, assinalou.

O governador de São Paulo, José Serra, também apresentou sua tese em defesa dos municípios. Para ele, o voto distrital (regionalizado), em cidades com mais de 200 mil habitantes, é a garantia que todos terão representação. ?Essa é uma alteração mais fácil de ser aprovada no Congresso do que o voto distrital para deputados e já representaria um primeiro passo para uma reforma política séria, pois já acostumaria o povo a uma nova prática, destacou.

Nomes fortes evitam falar em eleição

Mesmo faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais e com várias especulações quanto a sucessão presidencial em 2010, o assunto ?eleições? foi evitado pelos tucanos no encontro de ontem. Mesmo com a presença dos principais nomes do partido, muitos que deverão ser candidatos nas próximas disputas, poucos admitiram discutir o tema durante a reunião.

O discurso do prefeito Beto Richa exemplificou a conduta do PSDB quando o assunto é eleições. ?Acho um desrespeito falar sobre reeleição nesse momento. Ainda tenho muito o que fazer como prefeito. No início de 2008, se continuar com altos índices de aprovação, vou decidir sobre o assunto.? Um dos apontados para a disputa da eleição presidencial, o governador de São Paulo repetiu o mesmo tom. ?O paulista não me elegeu para ser candidato. Minha preocupação é em fazer a melhor administração possível do estado de São Paulo?, argumentou.

Mesmo Geraldo Alckmin, candidato derrotado à Presidência da República em 2006 e que, por isso, não ocupa nenhum cargo eletivo, evitou o assunto. ?O PSDB virá forte para as próximas eleições, mas esse não é o momento de escolhermos candidatos. Nosso dever, agora, é fazer oposição ao governo federal?, declarou. Alckmin é apontado por pesquisas como o favorito numa possível disputa para a Prefeitura de São Paulo.