Após os feriados de carnaval, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, entrega a presidência do PSDB do Paraná para o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, desencadeando o processo interno de definição do candidato do partido ao governo em 2006. Beto deixa a direção do diretório tucano na próxima reunião da executiva estadual, prevista para o dia 21, que terá ainda a filiação do deputado federal Gustavo Fruet ao partido.

A troca de comando no PSDB obedece a um ritual planejado. Beto não irá renunciar ao cargo, mas apenas se licenciar. A renúncia obrigaria à convocação de eleições, abrindo espaço para o senador Alvaro Dias concorrer à presidência do partido. Os tucanos simpáticos à tese do apoio à candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo temem a conhecida capacidade de articulação de Alvaro, reconhecida por aliados e adversários. Uma vez na presidência do partido, o senador tucano teria o caminho livre para construir o suporte de seu projeto, não admitido publicamente, de concorrer novamente ao governo no próximo ano.

Numa das poucas vezes em que se manifestou sobre uma nova tentativa de voltar ao Palácio Iguaçu, durante a posse da nova direção do Tribunal de Contas no mês passado, Alvaro disse apenas que é um "soldado do partido". Ao mesmo tempo, admitiu que se Beto renunciasse à presidência do PSDB, estaria disposto, sim, a concorrer à direção do partido no estado.

A figura de "soldado do partido" também foi invocada pelo senador tucano quando, durante uma reunião da executiva estadual no final do ano passado, foi "provocado" pelo deputado estadual Valdir Rossoni sobre seus planos eleitorais em 2006. Alvaro disse que se submeteria à decisão do partido, mas os tucanos pró-Osmar não se tranqüilizaram. Brandão assume agora, mas em outubro, o PSDB terá que realizar convenção para escolher a nova executiva e então, não haverá nada que possa impedir Alvaro de postular a presidência regional do partido.

E o senador não perde tempo. Nas inserções publicitárias do PSDB que começaram na segunda quinzena de janeiro e ficam no ar até o próximo dia 18, Alvaro divide tempos iguais com Beto e o presidente da Assembléia Legislativa. E aparece relembrando sua atuação no governo do estado, entre 86 e 90.

Além disso, o senador tucano também tem cumprido um disciplinado roteiro pelo interior do estado, visitando diretórios e fazendo contatos que podem ser decisivos para decidir quem será o candidato do PSDB à sucessão estadual em 2006. Embora tenha concorrido em 2002 pelo PDT, onde esteve por um breve período, os tucanos sabem que boa parte da base do PSDB do Paraná foi formada quando Alvaro dirigiu o partido na segunda metade da década de noventa.