Na mesma semana em que faz acusação pública contra uma das principais lideranças do PT no Paraná (o ministro do planejamento Paulo Bernardo), o governador Roberto Requião (PMDB) encontrou-se com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra.

Requião reuniu-se com Guerra ontem, em Brasília para tratar do quadro eleitoral. O encontro faz parte do esforço tucano para tentar envolver o PMDB em uma aliança eleitoral no Paraná, onde setores peemedebistas incentivam essa aproximação.

A denúncia feita por Requião contra o ministro e a reação dos petistas, abriram as portas para essa abordagem do PSDB que, após o pré-lançamento do prefeito de Curitiba, Beto Richa, ao governo, busca agora ampliar a composição estadual e reforçar o palanque da candidatura presidencial no partido no Estado.

O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, disse que não conversou com Guerra sobre a reunião com o governador, mas afirmou que o dirigente nacional se comprometeu com o partido no Estado a trabalhar para fortalecer a candidatura de Beto.

Até segunda-feira passada, o senador Álvaro Dias disputava a indicação e um dos seus trunfos era a possibilidade de atrair o governador e o PMDB para o palanque tucano no Estado.

“O presidente Sérgio Guerra disse a mim, como presidente estadual, que respeita a decisão interna do partido e que irá se empenhar para fortalecer nosso palanque”, garantiu Rossoni.

Com a indicação de Beto, as chances são tidas como menores pelos aliados mais próximos do governador. “É mais fácil um hipopótamo passar pelo buraco de uma agulha, do que o Requião subir no palanque de Beto Richa”, afirmou um auxiliar do governador.

Porém, nos bastidores, os tucanos acham que podem convencer Requião a apoiar José Serra, pelo menos, liberando os demais integrantes do partido para apoiarem o prefeito.

Em dezembro do ano passado, ao registrar pré-candidatura em Brasília, Requião declarou que entre Dilma Rousseff (PT) e Serra, apoiaria a petista. “Eu estou muito mais para a Dilma que para o Serra. Meu apoio tende mais pra Dilma pelo entorno, pela composição mais progressista, nacionalista e mais à esquerda. O Serra não é mau. Eu sou amigo de infância do Serra. Ele é progressista. O problema é o entorno do Serra”, disse na ocasião.

Ontem, a Executiva Estadual do PT divulgou nota em desagravo a Paulo Bernardo, classificando as declarações de Requião como “absolutamente desprovidas de qualquer vínculo com a verdade e em nada contribuem para a união de forças necessárias em defesa dos interesses paranaenses”.

A nota critica a postura do governador de “três anos depois, em ano eleitoral, vir a público com insinuações e afirmações falsas a respeito do conteúdo das tratativas é um comportamento inadequado, injusto e desrespeitoso para com seus aliados e principalmente para com o Governo Federal”.

Em entrevista a O Estado do Paraná na última terça-feira, o ministro Paulo Bernardo disse não querer associar as recentes críticas de Requião ao PT e ao governo federal a um pretexto para afastar o PMDB paranaense do PT e aproximar-se do PSDB.