Um dia após o panelaço realizado durante a exibição do pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na sede de seu instituto na capital, um dos articuladores políticos do governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, representantes de movimentos sociais e lideranças sindicais.

Essas lideranças demonstraram preocupação com a atual crise política que o País atravessa e não pouparam de críticas este início de segundo mandato de Dilma, em razão das medidas de ajuste fiscal elaboradas pela equipe econômica. Apesar das críticas, garantiram que irão para as ruas defender a legitimidade do mandato da presidente Dilma Rousseff.

Na próxima sexta-feira, 13, esses movimentos farão uma mobilização nacional em defesa da Petrobras, em defesa dos direitos da classe trabalhadora, contra o financiamento privado de campanhas eleitorais e em favor de um Plebiscito Constituinte para a reforma do sistema político brasileiro e contra o impeachment de Dilma. Este movimento está sendo classificado como uma espécie de ‘resposta antecipada’ às manifestações organizadas para o dia 15 de março, pelas redes sociais.

Após o encontro com Lula nesta segunda-feira, o subsecretário de Relações do Trabalho da CUT, Pedro Armengol, disse que a entidade é contrária às MPs 664 e 665 – que estabelecem novas regras para acesso a benefícios previdenciários como Abono Salarial, Seguro Desemprego e Auxílio Doença. “A CUT não vai abrir mão dos direitos dos trabalhadores”, disse o sindicalista, mas reiterou que a defesa do governo continuará contra o que ele classifica de “golpistas ligados a movimentos conservadores que desejam um terceiro turno das eleições”.

Essas lideranças não escondem de Lula a insatisfação com as medidas que a equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, propôs para tentar equilibrar as contas públicas. Armengol, inclusive informou que o ex-presidente petista já chegou a reclamar, em outra ocasião, que eles estariam jogando contra o governo. E recebeu em resposta que a central sindical estava apenas defendendo o direito da classe trabalhadora. “Inclusive o presidente já disse, em outra oportunidade, ‘mas vocês estão levando uma pauta contra o governo’. E a gente disse que não, estamos defendendo a pauta dos trabalhadores”, disse ele.

Na defesa da reforma política, esses movimentos consideram essencial estabelecer novos parâmetros para que a corrupção seja debelada. “Se existe problema de corrupção, é preciso mudar o modelo político, por isso vamos para as ruas defender a democracia e a reforma política”, destacou o líder sindical.

Rossetto

Na reunião com Rossetto, segundo o Instituto Lula, o ex-presidente não tratou sobre o protesto do dia 13, mas apenas da “relação do governo com movimentos sociais”. O ministro, no entanto, esteve em São Paulo para entre outras coisas se informar sobre as manifestações desta semana, de acordo com fontes do PT. O governo está preocupado com a possibilidade de o ato do dia 13, que deveria ser a favor, se transformar em palanque para críticas ao ajuste fiscal.

O temor é compartilhado pelo ex-presidente Lula, que há na duas semanas, no ato em defesa da Petrobras realizado no centro do Rio de Janeiro, havia prometido participar da marcha em São Paulo mas cancelou a presença alegando que a pauta do protesto, antes restrita à Petrobras, foi ampliada. A manifestação do dia 13 terá quatro pontos: defesa da estatal, rejeição ao impeachment de Dilma, proteção dos direitos trabalhistas e realização da reforma política.