O saldo da reunião do PT e PMDB foi considerado positivo pelos tucanos, que se sentiram aliviados com o ritmo das negociações entre os dois adversários, que estão longe de chegar a um acordo sobre uma candidatura comum ao governo em 2010.

O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, disse que o prazo comunicado pelos petistas aos peemedebistas para as definições, janeiro de 2010, proporciona fôlego aos tucanos à medida que, se houvesse acordo já entre os adversários, o PSDB seria compelido a apressar suas decisões.

“Se quem não tem candidato não tem pressa, então, nós que temos bons candidatos, teremos menos pressa ainda de definir…”, disse o dirigente tucano. Ele se referiu ao PT, que precisa montar palanque no Paraná para sua candidata à sucessão do presidente Lula, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas ainda não tem um candidato ao governo para sustentar o projeto e tenta juntar o PMDB e o PDT numa mesma aliança.

Rossoni expressou o alívio de uma ala do partido que pretende deixar as decisões em “banho-maria” até abril, data-fatal para que o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), diga, de uma vez por todas, se fica na prefeitura de Curitiba ou renuncia ao cargo para concorrer ao governo.

O grupo dirigente do PSDB não quer nem ouvir falar de antecipar essa decisão. Pressões já foram feitas pelo senador Osmar Dias (PDT), que negocia com os tucanos e também com os petistas uma coligação de amparo à sua candidatura ao governo no próximo ano, como pelo senador Alvaro Dias, que disputa com o prefeito de Curitiba a indicação para ser o candidato dos tucanos à sucessão estadual. Mas por enquanto, o prazo está sendo ditado pelo prefeito de Curitiba.

Rossoni disse que abril é o prazo máximo, mas que espera uma posição de Beto até o final do ano. É o tempo suficiente para que os partidários de Beto analisem os efeitos das denúncias de compra de apoio e manutenção de um caixa paralelo de campanha, feitas por ex-funcionários e aliados do prefeito, e avaliem se as chances de vitória para o governo justificariam uma renúncia à prefeitura.

Para o presidente do PSDB, a escolha interna, entre Álvaro e Beto, ou a opção pela candidatura do senador Osmar Dias, é um problema para o tempo resolver. “Nós precisamos ter uma visão bem clara da conjuntura e a situação nacional vai contar nessa discussão”, afirmou.