Foto: João de Noronha/O Estado

Veneri: "Resistências veladas contra o projeto".

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) garante que alguns deputados ficaram preocupados com a repercussão do projeto de emenda constitucional (PEC) que proíbe o nepotismo nos três poderes no Paraná. "Receberam ligações de prefeitos para saber o que aconteceria se a PEC fosse aprovada. Há uma pressão sutil contra o projeto, porque não há nenhum argumento válido para pressionar", afirma Veneri, autor do projeto. Segundo o deputado, a contratação de parentes é bastante grande em muitos municípios e em muitos partidos.

Mas, mesmo com a resistência contra a medida, Veneri entende que pesa a favor da PEC o fato de que a votação da emenda será nominal. "Desse modo não tem como fazer um discurso que vai votar a favor do projeto, e na hora da votação dar outro encaminhamento", explica. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, pretende pôr a PEC em pauta de votação em março.

Para Veneri, não faz diferença se é uma ou duas pessoas favorecidas por serem parentes de prefeitos ou vereadores. "Imagine se em cada município o prefeito nomeie três parentes, o vice, outros três, o secretário outros três. Haveria mais de mil pessoas contratadas sem concurso público."

A respeito do argumento de administradores, de que contratam parentes porque são competentes, Veneri questiona o motivo, já que são competentes, de não se fazer concurso público. "O concurso garante competência e dá legitimidade. A história de que se contrata parentes por causa da competência não corresponde à realidade, não são capacitadas", afirma.

Segundo Veneri, o fator primário do nepotismo são os cargos de confiança. "Eles são a fonte de troca de favores. Em todos os países há um número reduzido de cargos de confiança." Para o deputado, o projeto de emenda está dando um passo importante, mas, na seqüência, o debate vai voltar para os cargos em comissão e para a forma de ingresso no serviço público.