Dos 35 vereadores da Câmara Municipal de Curitiba, cinco estão atualmente sem partido e estudam propostas para ingressar em outras legendas. Nenhum ainda definiu a sigla a que pretende se filiar. Na última quinta-feira Fábio Camargo deixou o PSC e Reinhold Stephanes Júnior desfiliou-se do PSDB. Já estavam sem partido Antônio Bueno, que saiu do PSL; Sabino Picollo, ex-PSDB, e Luiz Felipe Braga Cortes, que deixou o PFL.

Braga Cortes tomou posse como suplente em janeiro, e desde que assumiu o cargo manteve uma postura própria. “Sempre falei que sou independente, tanto que nunca participei de nenhuma reunião da bancada de apoio. Tenho esta postura, o que é bom, porque não sou obrigado a votar com o prefeito”, explicou. “Cada vereador tem o direito de votar no que acha correto”, disse.

Motivos

Cortes afirmou que não tem nenhum problema específico com o prefeito, mas mesmo assim decidiu deixar o partido. “Não é um problema com o prefeito ou com os secretários. Existem coisas que eu não concordo, por isso não quero adotar uma postura agora para mudar depois. Não consigo estar na bancada de apoio, então prefiro não participar de reuniões”, contou. O vereador ainda não sabe para qual legenda irá. “Estou estudando, mas provavelmente eu vá ficar sem partido”. No entanto o PMDB já manifestou interesse em sua filiação.

Segundo Fábio Camargo desde o final do ano passado ele pensava em deixar a legenda. “Você só pode pensar em futuro político em um partido com representação nacional”, disse. “Saio numa boa, com muitas amizades e principalmente, deixo as portas abertas para um retorno”, contou. Segundo Camargo, ele já recebeu convites para ingressar no PT, PFL e PSDB. Ele afirmou ainda que há possibilidade de ir também para o PMDB, embora na última segunda-feira a Executiva Estadual tenha votado contra o convite. “Falei com o Doático Santos (presidente municipal do PMDB), que reafirmou o convite. A história com o PMDB não acabou”. A decisão para qual sigla irá deverá sair até o final do mês.

“Tenho pressa de ingressar em um partido porque a campanha para o ano que vem já começou. Os que se organizarem primeiro saem na frente”, opinou. “Mas tenho que ter muita cautela, porque minha decisão será pautada em um futuro político e dentro de um grupo que acredite que possa fazer a Prefeitura”, contou Camargo.

Stephanes Júnior afirmou que já recebeu convite de diversos partidos, entre eles o PMDB, PP e PL. Ele entregou sua carta de desfiliação alegando incompatibilidade com alguns dirigentes do partido. No final de abril ele e o deputado federal Affonso Camargo tiveram algumas discussões que tornaram-se públicas. Camargo foi escolhido pelo partido para atuar como conciliador entre os dois grupos que disputavam a presidência da comissão provisória de Curitiba. As alas eram lideradas por Stephanes e por João Cláudio Derosso. Mas ao invés de conciliar, criou-se um problema maior, que culminou na saída do vereador do partido.