O debate dos dois principais candidatos ao governo com os agricultores da Federação de Agricultura do Estado do Paraná foi marcado pela troca de farpas. Mesmo não se encontrando no evento, Beto Richa (PSDB) foi o convidado da manhã e Osmar Dias (PDT) participou à tarde, os dois candidatos aproveitaram para cutucar seus adversários. Enquanto Beto disse que em seu palanque não tem MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), Osmar declarou que o Paraná precisa de um governante que entenda a vocação econômica do Estado.

Beto e Osmar aproveitaram supostos pontos fracos de seus adversários na conversa com os cerca de 400 lideranças de sindicatos rurais do Estado. Enquanto Beto se apegou ao fato de coligação de Osmar Dias conter partidos como o PT e o PCdoB, que defendem os movimentos sociais como o MST, Osmar lembrou de sua experiência no campo e explorou o fato de Beto ser ex-prefeito da capital e, segundo ele, não ter intimidade com a produção rural.

Beto prometeu defender o direito à propriedade e disse que agirá com rigor na questão das reintegrações de posse. “O ideal é evitar invasões, com diálogo e políticas públicas. Mas os mandados de reintegração de posse determinados pela Justiça serão cumpridos”, afirmou, para depois reforçar que está na chapa de José Serra (PSDB), candidato a Presidência da República. “Serra respeita o setor do agronegócio. Ao contrário da adversária, que tem o apoio do MST”, destacou. Beto Richa também criticou a atuação da Força Verde, divisão da Polícia Militar que atua contra crimes ambientais. “Produtor não é bandido. A verdadeira Força Verde é o setor agrícola, que gera emprego e renda no Paraná”, disse.

Julio Cezar Souza
Osmar disse que nunca votou para vender empresa pública.

À tarde, o pedetista Osmar Dias respondeu à ligação de sua chapa com o MST. “Sou produtor rural e há 30 anos na política luto pelos direitos dos agricultores. O direito à propriedade é garantido por lei a todos os brasileiros e pretendo continuar lutando por isso e pelas minhas convicções”, afirmou o candidato. Após o encontro, ao fazer suas ponderações via twitter, Osmar atacou. “É preciso ter muito cuidado. A última vez que alguém andou pelo Paraná promovendo a qualidade de Curitiba ao Estado, deu de presente o pedágio”, escreveu. “Sou a favor, defendo e defenderei os produtores rurais do Paraná. Nunca votei para vender empresa pública”, acrescentou.

Beto também aproveitou a reunião para tratar da questão do pedágio: “Vou despolitizar este tema e tratá-lo com a seriedade que merece. Agora é o momento de chamar as concessionárias para o diálogo”, disse. Enquanto Osmar, aproveitando seu palanque com Dilma, disse que reivindicará recursos do PAC 2 para ampliar a capacidade do Porto de Paranaguá e construir ou reformar aeroportos de carga no interior do Estado.