O novo presidente do PDT do Paraná, deputado Augustinho Zucchi, disse ontem, 6, que o senador Osmar Dias e seu partido não veem a eleição do próximo ano como um confronto com o governador Roberto Requião (PMDB).

“Nós estamos fazendo um projeto para o estado do Paraná. Para nós, a eleição é para o governo. Não contra o Requião. É importante que as coisas boas, executadas pelo atual governo, sejam mantidas”, afirmou o dirigente do PDT, que também não vê abismos ideológicos ou programáticos entre o senador Osmar Dias, pré-candidato do PDT ao governo, e Requião.

A política tributária do atual governo, que estabeleceu uma escala de isenções fiscais para micros e pequenas empresas, e a preservação das empresas públicas são duas diretrizes que integrarão o programa de governo que está sendo elaborado para o senador Osmar Dias, citou Zucchi.

“Tem coisas que estão funcionando e que nós consideramos importantes. O que não significa que o senador Osmar Dias concorde com tudo no atual governo”, afirmou.

Zucchi está substituindo o senador Osmar Dias na presidência do PDT, desde a semana passada. Osmar estava acumulando a liderança do partido no Senado e a direção estadual.

Os pedetistas acharam que ele estava sobrecarregado e resolveram proporcionar mais tempo ao senador para que dedique à formulação do plano de governo para 2010.

Do coração

A resistência do governador do Paraná à proposta de aliança com Osmar em 2010, como vem defendendo o presidente Lula (PT), não é considerada por Zucchi um obstáculo irremovível a um acordo entre os dois partidos para as eleições do próximo ano.

“A posição que o Requião tem manifestado não é a do coração dele. Talvez, o momento tenha exigido essa posição. Mas não acho que seja estanque”, disse o dirigente pedetista.

A rivalidade de 2006, quando Requião e Osmar disputaram o governo, não deve atrapalhar um acordo, acredita Zucchi. Nem mesmo quando o governador peemedebista sugere que uma aliança com Osmar significaria o mesmo que renegar sua história política ou faz críticas ácidas ao senador por suas posições favoráveis ao setor de agronegócios podem ser vistas como impeditivo para uma aliança, disse o presidente do PDT.

“Quando o Requião e o Osmar foram senadores juntos, se você fizer um levantamento, irá descobrir que eles votaram do mesmo jeito, com as mesmas posições, na maioria das vezes”, citou.

O período em que Osmar e Requião trabalharam juntos também foi mencionado por Zucchi. Osmar foi secretário da Agricultura do primeiro mandato de Requião como governador.

“O Requião conhece muito bem o Osmar. Ele sabe quem é o Osmar. Ele trabalhou com o senador e sabe como ele age em relação à coisa pública. Por isso, tenho certeza que a postura do Requião não é contra o Osmar e que vai mudar conforme o tempo”, disse o presidente do PDT.