Aliocha Mauricio / O Estado do Paraná
Espuma fétida cobre as águas do Lago
Azul. O problema aumenta quando chove.

Moradores do bairro Umbará, em Curitiba, que vivem nas proximidades do Lago Azul, reclamam há anos da poluição encontrada nas águas da localidade. Todos os dias, os habitantes da região sofrem com o forte cheiro do local. Segundo eles, há alguns anos, foram encontrados peixes e outros pequenos animais, como marrecos, patos e gansos, mortos nas margens do lago.

No entanto, a vizinhança reclama que, mesmo com a visita da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smma) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na época do acidente, o problema não foi solucionado. Ontem, após dois dias de chuva intensa, uma enorme quantidade de espuma se formou no local. De acordo com os moradores do bairro, toda a vez que chove, o volume de espuma aumenta, assim como o forte cheiro. O Rio Ponta Grossa, que deságua no Lago Azul, passa antes pela Ceasa e pela Vila Palmeira.

Os moradores acreditam que o mau cheiro pode ser causado por esgoto e produtos químicos despejados na água. “Moro aqui há mais de quarenta anos e de seis anos para cá começou esse problema. O pessoal da região pescava e comia os peixes do local. Agora, se os peixes não estão mortos, já estão contaminados e ninguém pode comer”, ressaltou a dona de casa Adelaide Miqueletto, de 57 anos. Ela conta que muitas pessoas entravam nas águas da localidade sem preocupação nos finais de semana. Agora, no entanto, “todo cuidado é pouco, pois fico até com dor de garganta quando passo perto da espuma”.

Oreste Franco Filho, de 44 anos, trabalha há cinco anos no Parque do Lago Azul, e comenta que mesmo no calor, o forte cheiro incomoda os moradores. “Na verdade é até pior, porque dificulta a respiração. Nos últimos dias, por causa do tempo seco, sem vento, o cheiro era horrível”, afirmou.

Oreste trabalha para Angelina Zonta, de 67 anos, proprietária do parque. Ela informou que o problema com a água acabou com o espaço, antes visitado todos os dias. No local funcionava uma lanchonete, quiosques e um campo de futebol. Hoje se encontram placas de local interditado para banho. “Falam tanto em meio ambiente, mas ninguém faz nada. Pago impostos e soltam esgoto no que deveria ser preservado. É ridículo essa situação”, reclama.

A Smma informou que o problema ocorre devido ao despejo de esgoto doméstico no Rio Ponta Grossa. De acordo com a assessoria da instituição, esse é um problema antigo, que não tem solução por não ocorrer a coleta e tratamento de esgoto na região. Ainda não se sabe se existe um projeto para acabar com o problema no local. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) deve se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias.