O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) decidiu limitar a 45 toneladas o peso bruto total dos veículos de cargas na travessia da ponte sobre a represa Capivari-Cachoeira, no km 42,6 da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em Campina Grande do Sul (PR). O objetivo, segundo o órgão, é evitar um possível comprometimento da estrutura, cujo aterro foi abalado pelo deslizamento que causou, na terça-feira, o desabamento parcial de outra ponte no local.

A proibição, em vigor desde hoje, será fiscalizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). "É uma medida de precaução, pois todo o tráfego está, agora, concentrado nessa ponte", explicou o coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo De Bueno Grizzi. O limite é válido para veículos pesados, isolados ou em comboios. O peso a ser considerado não é apenas o da carga, mas o peso total, ou seja, a carga mais a tara – peso do veículo descarregado.

A restrição deve atingir uma parcela pequena da frota, segundo Grizzi. "São os veículos que já dependem de autorização especial dos órgãos de trânsito para circulação." O Dnit comunicou a decisão à direção geral e às Delegacias da Polícia Rodoviária Federal. Sindicatos nacionais e federações de transportes de cargas também receberam comunicados. Os órgãos estaduais de trânsito foram contatados para não expedirem autorizações de deslocamento de cargas acima do limite pela BR-116.

Na segunda-feira, serão colocadas placas informando sobre a proibição em pontos estratégicos da rodovia, como a saída do Rodoanel, em São Paulo, a divisa entre os dois Estados e as proximidades da ponte. Segundo Grizzi, em razão da ausência de balanças para fiscalização das cargas no trecho, a PRF foi orientada para fazer a aferição através das notas fiscais. "Os policiais têm a configuração dos caminhões pelas suas características, como o número de eixos. Esses veículos serão parados e inspecionados." Ele recomenda "não entrar na rodovia" com carga acima do limite, pois "a fiscalização será rigorosa".

Hoje, funcionários do órgão estenderam mantas plásticas no aterro que sustenta a cabeceira a ponte para a infiltração da chuva. Segundo Grizzi, domingo ou, no máximo, segunda-feira, será iniciada a contenção do aterro com uma cordoalha de aço. O objetivo é evitar novos desbarrancamentos como o que causou a queda da outra ponte. O projeto do reforço da cabeceira será concluído na próxima semana.

Apesar da queda da ponte, o tráfego na BR-116, entre São Paulo e Curitiba, continuava com a mesma intensidade hoje. De acordo com a PRF, houve uma diminuição de cerca de 25% apenas no número de automóveis.

Policiais comentaram que os caminhoneiros preferem enfrentar eventuais percalços na Régis a aumentar o percurso em 200 quilômetros para utilizar a rota alternativa que passa por Itararé, no sudoeste paulista. Segundo a concessionária SP Vias, que administra parte do trecho paulista, o movimento de veículos entre Itararé e a rodovia Castelo Branco, em Tatuí, aumentou quase 100% apenas na quarta-feira, com a interdição total da Régis. Depois, voltou ao normal.