Foto: APPA

 Exportações de veículos apresentam saldo de 177%, se comparado com 2004.

A receita cambial gerada pelos portos do Paraná alcançou a marca de US$ 6,1 bilhões de janeiro a agosto deste ano, quase US$ 1 bilhão a mais que o verificado no mesmo período de 2004.

O destaque fica por conta das exportações de veículos que, no acumulado do ano, tiveram um saldo (diferença entre exportação e importação) de 177% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os embarques de veículos estão entre os maiores responsáveis pelo aumento da receita cambial gerada pelo Porto de Paranaguá. As exportações alcançaram índice positivo de 125%. Em dólares, os volumes significam o dobro do verificado em 2004. De janeiro a agosto de 2005, as exportações de veículos geraram US$ 741,6 milhões, enquanto que no mesmo período do ano passado ? US$ 322,4 milhões ? não chegou a metade do registrado neste ano.

O contrato firmado entre a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), a armadora Grimaldi e a Volkswagen garantirá até 2006, a exportação de 140 mil unidades. Só em 2005, a expectativa é que as exportações de veículos gerem um incremento de US$ 1 bilhão no total da receita cambial do Porto, o que elevaria ainda mais a receita em comparação aos resultados obtidos em 2004, quando foram gerados US$ 8,4 bilhões, o dobro do verificado em 2002.

Complexo soja

A movimentação de veículos no Porto de Paranaguá segue positiva em relação aos portos de Santos e aos do Sul do País e divide atenções com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo).

De acordo com dados fornecidos pelo Secex/Decex, entre janeiro e agosto do ano passado, foram exportadas 9,3 milhões de toneladas do complexo soja no terminal paranaense, enquanto em Santos ? segundo do Brasil na exportação de soja ? foram 7,2 milhões de toneladas. Já em 2005, no acumulado do ano, o Porto de Paranaguá repetiu a performance de 2004 com 9,3 milhões de toneladas, enquanto em Santos ? no mesmo período ? foram exportadas 7,4 milhões de toneladas.

As exportações do complexo soja revelam ainda mais facilmente o quanto o Porto de Paranaguá supera outros terminais escoadores do produto. Enquanto Santos está 500 mil toneladas a menos no comparativo do acumulado entre 2004 e 2005, Paranaguá, em função do longo período de chuvas, registrou redução dos seus embarques em 300 mil toneladas.

?Apesar da queda nas exportações de soja em grão, em virtude de um mercado retraído e do dólar em baixa, o Porto de Paranaguá teve um aumento considerável na receita gerada com os embarques de veículos e de produtos do segmento da Carga Geral?, afirmou o superintendente da Appa, Eduardo Requião.

Ele comentou que as operações com carga geral são especialmente importantes porque geram o emprego de mão-de-obra direta na faixa do cais, porque contam com a participação direta dos trabalhadores nas operações. Porém, para embarque de soja, por exemplo, as operações são mecanizadas e não precisam de número grande de trabalhadores.

Outro exemplo da geração de mão-de-obra aconteceu em razão dos embarques de veículos, onde foram gerados 700 empregos diretos graças ao contrato entre o porto, a armadora e a indústria de automóveis.

Estatísticas

Além de veículos e carga geral, as exportações pelo Porto de Paranaguá alcançaram expressivos volumes em diferentes produtos. Na carga geral, por exemplo, os destaques são os embarques de couro, que tiveram um aumento de 19% no acumulado em comparação ao mesmo período de 2004; de congelados, com um incremento de 39%; de açúcar com aumento de 46% e de cerâmicas, com crescimento de 14%. Ainda na carga geral, o Porto de Paranaguá registrou crescimento de 55% na importação de celulose.

No segmento de granéis sólidos, o porto teve crescimento de 74% nas exportações de açúcar e de 35% na importação de sal. No segmento de granéis líquidos, a exportação de longo curso de derivados de petróleo subiu 35%, enquanto na cabotagem o incremento foi de 42%. No Porto de Antonina, as exportações de madeira cresceram 187% e de ferro tiveram aumento de 99%.

Mercado

Os números positivos no Porto de Paranaguá confrontam-se com as últimas declarações do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que considera os atuais efeitos da crise agrícola como os maiores dos últimos 30 anos, capazes de contaminar os resultados da próxima safra.

?A rentabilidade rural despencou muito neste ano, os custos subiram, os preços caíram, o endividamento ficou muito alto e houve quebra da produção por causa da seca. Com isso, a renda caiu muito e há um claro desânimo por parte dos produtores quanto à próxima safra?, declarou nesta semana.

Os produtos mais afetados, segundo o Governo, são algodão, arroz e trigo, com reflexos também em soja e em milho. A previsão é de que a safra terá uma queda, com redução em 5% da área plantada.

Ao avaliar as condições apresentadas pelo ministro, o superintendente da Appa, Eduardo Requião, defendeu a atividade portuária como a que sente os reflexos de qualquer crise no campo produtivo e consumidor e não como a que gera esta crise. ?Se as exportações caem, poucos lembram que a produção, o mercado comprador, os preços praticados, a estiagem e outros fatores é que influenciam a atividade portuária e não o contrário. E o Porto de Paranaguá continua entre os maiores?, finalizou.

Navios

Nesta sexta-feira, 15 navios estavam atracados no Porto de Paranaguá. Deste total, 3 carregavam 170,3 mil toneladas de soja em grão. Ao largo, uma embarcação aguarda para atracar e carregar 46,4 mil toneladas da oleaginosa.

O perfil dos navios que atracam nos portos paranaenses segue uma tendência internacional, ou seja, o comprimento das embarcações está maior, revelando ganho nas capacidades embarcadas. Nos últimos 4 anos, os navios tiveram um aumento de 11 metros no seu comprimento, chegando a uma média de 188 metros.