São Paulo (AE) – A suposta intenção do atacante Grafite de deixar de propor a queixa de injúria qualificada contra o zagueiro argentino Leandro Desábato, do Quilmes, como já foi noticiado na Argentina, desagrada profundamente os representantes das entidades que lutam contra o racismo.

Frei Davi, da Educafro, entidade que luta pelos direitos dos afrodescendentes e negros carentes de São Paulo, faz um apelo para que o jogador não desista "de uma luta que já perdura 500 anos no País". "Se isso se confirmar, a causa sofrerá uma grande derrota. Por isso, apelamos ao Grafite para que siga denunciando atitudes racistas dentro e fora do futebol", disse o frei.

O Frei Davi se coloca à disposição do atleta para tentar convencê-lo a não desistir da ação. Ele acredita, porém, que a diretoria tricolor esteja por trás desse possível recuo.

No calor da discussão que tomou conta do noticiário esportivo na última semana, Grafite foi o primeiro a bater no peito e afirmar aos quatro ventos sua disposição de seguir com a causa. "Não vou me inibir se houver outro caso. Vou reagir sempre. Gostaria muito de me aproximar dos representantes das comunidades negras. Farei tudo que puder para ajudar nesta luta", disse o atacante, um dia depois de mandar para prisão o argentino Desábato, que o chamou de "negro" durante partida no Morumbi, pela Libertadores.

O jogador são-paulino ainda não tomou sua decisão. Mas somente ele poderá levar o caso adiante. A lei diz que o ofendido, e mais ninguém, tem prazo de seis meses para propor a queixa de injúria qualificada – artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, com prisão de um a três anos. "Se ele não propor a queixa, o delegado faz um relatório ao promotor explicando a situação. Este repassa o informe ao juiz, que arquiva o inquérito", afirma o advogado criminalista José Luís Oliveira Lima.

O especialista diz que somente Grafite tem o poder de levar a denúncia em frente. Nem o promotor nem o magistrado podem decidir por ele.