O Brasil é um dos países que pior educa o seu povo. Levantamentos recentes, feitos aqui mesmo, dentro do País, revelaram que dos estudantes que completam o ensino médio e conseguem entrar nas faculdades, um mínimo irrisório consegue formar-se. E, nos casos de profissões em que há posteriores provas de suficiência, como acontece com os formados em Direito, a Ordem dos Advogados do Brasil barra milhares de bacharéis. E, para não escondermos a verdade, confessemos que os incompetentes são a grande maioria.

No Nordeste e Norte do País, mas em grande proporção também em outras regiões, alunos da última série do curso primário não sabem ler nem escrever.

Há universidades cujo ensino até é de razoável qualidade, mas o problema é que à liberdade acadêmica não corresponde a de gestão dos recursos que o governo libera para o ensino. E estes são sempre microscópicos diante das carências.

A conseqüência é faculdades fechando as portas, suspendendo vestibulares, postergando o início do ano letivo porque não têm salas, carteiras ou outros equipamentos, ou os têm em estado de sucata, imprestáveis para que abriguem professores e alunos e ofereçam condições de ensino. O primeiro ministro da Educação do governo Lula, o senador brasiliense Cristóvam Buarque, caiu porque reclamou da falta de recursos.

Têm sido anunciadas vitórias, uma delas o aumento substancial de crianças nos bancos escolares. Mas de que adianta pôr todas as crianças nos bancos escolares e oferecer a todos os jovens ensino médio, ou mesmo superior, se o ensino não condiz com as suas necessidades e as do País?

Em ensino, como em qualquer outro serviço do governo, mas neste de forma especial, deve haver uma justa e inteligente relação custo-benefício. Se a arrecadação bate recordes, cadê o dinheiro?

Podemos até admitir que a política fiscal do governo é arrecadar ao máximo, produzir um crescimento econômico seletivo, com pouco dinheiro, e reservar a maior parte da receita para pagar os credores internacionais. A longo prazo, pelo menos em teoria, esta política – que é a de Palocci e de Lula – poderia significar um país independente, andando pelas próprias pernas.

Mas se há investimentos postergados para que se possa pagar as dívidas, os em educação são impostergáveis. Se temos hoje um país destacado no "ranking" dos de pior ensino do mundo, a seguir a economia no setor de educação, teremos no futuro um país burro, gritando ao mundo que anda pelas próprias pernas e a "ignorância é nossa".

É preciso balancear o uso dos superávites que vêm sendo obtidos. Uma parte para pagar a dívida externa e outra para o desenvolvimento do País. Mas nesta parte, a destinada ao crescimento do País, as aplicações em educação devem ter prioridade absoluta. Aliás, o próprio presidente Lula tem dito isso. Proclamou o setor como prioridade ainda em discurso pronunciado na semana passada, quando inaugurou na Amazônia um centro de excelência em esportes, semelhante aos de Cuba. Mas falar é uma coisa e fazer é outra. É hora de fazer, antes que criemos neste País uma multidão de diplomados incompetentes, nos vários níveis de ensino, desperdiçando recursos que devem produzir um Brasil livre para brasileiros devidamente instruídos gozarem dessa liberdade.