Uma das alternativas de combate ao contrabando na área de fronteira com o Paraguai será pôr em execução um amplo programa de desenvolvimento econômico sustentável na região. A intenção é substituir a prática de contrabando, que não beneficia nenhum dos dois países, por uma economia forte que gere empregos formais. A proposta foi apresentada, nesta quarta-feira (06), ao governador em exercício Orlando Pessuti, pelo o ministro Antonio Cruz de Mello, cônsul geral do Brasil em Cidade de Leste, no Paraguai.

As alternativas, que vêm sendo estudadas pelos governos brasileiro e paraguaio desde setembro de 2005, serão discutidas a partir desta quinta-feira (07), às 10 horas, na secretaria da Agricultura do Paraná. Para o ministro a participação do Paraná, com sua experiência de desenvolvimento econômico, será essencial nos planos dos governos dos dois países para fortalecer a região de fronteira e, conseqüentemente, o relacionamento com o Paraguai.

Mello foi recebido no Palácio Iguaçu, por Pessuti. Participaram do encontro o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Newton Pohl Ribas, o intendente municipal de Hernandárias, no Paraguai, Andrés Retamozo, o presidente da Adiri (Agência de Desenvolvimento da Região do Lago de Itaipu), Breno Bianchi, e o prefeito de Guaíra, Fabian Vendrúsculo. Retamozo é também presidente da Associação dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu, do lado paraguaio. Ele representa 12 municípios. E Vendrúsculo é presidente da Associação dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu, do lado brasileiro, e representa 16 municípios da região.

Segundo o ministro Antonio Mello, a agenda de discussão no relacionamento Brasil e Paraguai sempre tratou dos problemas gerados pelo crescimento do contrabando e do tráfico de armas e drogas. O contrabando é praticado por representantes de terceiros países e gera uma economia perversa que não beneficia os dois países. ?Além disso, escraviza trabalhadores paraguaios e brasileiros, porque quem trabalha a serviço do contrabando e do narcotráfico são escravos?, disse o ministro.

Para o ministro será fundamental substituir essa agenda, por uma positiva, de trabalho formal e desenvolvimento econômico sustentado para oferecer alternativas para a região. Essa proposta será aprofundada para criar alternativas de emprego formal e amenizar o desemprego provocado com o rigor da Receita Federal, que está reprimindo com mais intensidade o contrabando na região.

A preocupação dos prefeitos é com o crescimento do desemprego. ?A expectativa é que mais de 2 mil famílias de desempregados circulem pelos municípios lindeiros?, afirmou o prefeito de Guaíra. O programa pretende integrar a economia das regiões de Hernandárias, Alto Paraná e dos municípios lindeiros de Itaipu

Experiência

O Paraná vai contribuir com essa parceria com seus programas na área de agricultura, saúde, infra-estrutura e indústria e comércio. ?Na área agrícola, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento pretende levar suas experiências de desenvolvimento sustentável para a região, com a participação da Emater e Iapar?, destacou Pohl Ribas.

Outra parceria importante apontada pelo secretário da Agricultura será a execução de um programa de defesa sanitária animal e vegetal, de forma integrada entre Brasil e Paraguai, em que o Paraná terá participação fundamental. ?Será criada uma área de amortecimento de 25 quilômetros de cada lado, onde será executado o georeferenciamento das propriedades, com a rastreabilidade dos animais. As ações de educação sanitária e vacinação contra a febre aftosa serão implementadas em toda a região?, detalhou o secretário.