Durante reunião do governador Roberto Requião com o ministro-chefe da Casa Civil, nesta quarta-feira em Brasília, foi decidido que o Governo do Paraná vai disponibilizar técnicos da Secretaria da Fazenda para realizar estudos para redução da cobrança do PIS/Cofins na fase de distribuição do álcool hidratado, que atualmente é de 8,2%. Essa é uma das reivindicações entregues em junho deste ano pela Coalizão Pró Etanol, que é coordenada por Requião e reúne 19 Estados brasileiros produtores de cana-de-açúcar.

O estudo deverá ficar pronto em 10 dias e será encaminhado ao Ministério da Fazenda. O governador, que foi à reunião acompanhado de vários empresários do setor sucroalcooleiro, também obteve a garantia de que o ministro vai trabalhar para que, até o Carnaval, a PEC 225/04, que faz parte da reforma tributária proposta pelo Governo Federal, seja votada na Câmara. Com a aprovação da proposta de emenda constitucional, a chamada “guerra fiscal” entre os Estados tende a acabar.

Para Requião, “é obrigação dos Governos Estadual e Federal se anteciparem ao que vai acontecer e investirem na produção de etanol. Temos que ter uma visão um pouco mais adiante e não se submeter nunca a uma visão imediatista, que pode parecer interessante num determinado momento, mas que pode desagregar toda uma economia e um ciclo de produção na história do Paraná e do país”, afirmou. O governador também afirmou que o álcool é a melhor alternativa para substituir o petróleo. “O petróleo está acabando no mundo e é bom que o Brasil preserve o que nós temos”, salientou.

Outra informação passado por José Dirceu é que o Governo vai continuar as ações e projetos para fomentar a exportação de álcool e açúcar. Para 2004, a previsão do setor no Paraná é colher 28 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que serão transformadas em 1,1 bilhão de litros de álcool e 1,8 milhões de toneladas de açúcar. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena, a atividade atualmente gera no Estado 16 mil empregos diretos, 48 mil indiretos e ocupa 150 mil hectares.

Segundo Ricardo Rezende, vice-presidente da Alcopar, a reunião foi muito proveitosa e todos os pleitos da Coalizão tiveram andamento. “O ministro trabalhou duro nestes meses e se comprometeu a continuar conversando com outros ministros e com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atender o nosso setor”, comentou. De acordo com Rezende, o Governo Federal considera o setor sucroalcooleiro muito importante para a economia do país.

“Somos um setor que está crescendo e vai continuar se expandindo. E o Paraná saiu na frente porque o governador Roberto Requião reconheceu a nossa importância desde o início de seu mandato”, disse Rezende referindo-se às várias medidas para expansão do setor no Estado, como a assinatura do decreto 3.493, assinado pelo governador Roberto Requião e que prevê o aumento em 150 mil hectares de área plantada com cana-de-açúcar, além da geração de 16 mil empregos diretos.

Além disso, em setembro deste ano o governador obteve do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, a garantia de financiamento de R$ 1,3 bilhão para ampliar a produção e a comercialização de álcool do Paraná. Os empresários já estão elaborando a carta-consulta (documento prévio com informações básicas do projeto) para o Banco, que em poucos meses deverá liberar o empréstimo.

A Coalizão Pró Etanol reúne Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe, além do Paraná.