Ribeirão Preto – O preço médio do litro álcool hidratado nas usinas ficou em R$ 1,0642 em fevereiro, recorde histórico de acordo, com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada de Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq). De acordo com a entidade, que monitora os preços desde 1998, o recorde anterior para o hidratado pertencia ao mês de fevereiro de 2003, com R$ 1,045 o litro, valor já corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

O preço do hidratado também bateu outras duas marcas históricas no mês passado: tanto o valor médio quanto o valor absoluto na última semana do mês, de R$ 1,153, superaram pela primeira vez o preço cobrado pelo litro do anidro. Esse tipo de álcool, sem água, que é misturado à gasolina, custou, em média R$ 1,0639 o litro e encerrou o mês a R$ 1,149. O recorde histórico do preço do anidro já corrigido pelo IGP-M é de R$ 1 222, também em fevereiro de 2003, de acordo com o Cepea/Esalq.

Segundo Mirian Bacchi, professora e pesquisadora da instituição, a forte demanda pelo álcool hidratado foi a principal causadora do recorde de preço do combustível. "Muitas usinas estão hidratando o anidro, o que encarece ainda mais o hidratado", disse.

Já o fato de o preço do hidratado ter superado o do anidro pela primeira vez também é fruto do consumo, mas já demonstra que as medidas contra fraudes tomadas pelo governo tiveram efeito. Desde o início do ano, é adicionado um corante laranja ao álcool anidro vendido pelas usinas para ser misturado à gasolina. O corante evita a fraude chamada "álcool molhado", na qual distribuidoras compravam anidro, sobre o qual não incidem impostos, e adicionavam água para ser vendido como hidratado, que paga, no mínimo, 12% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "O consumidor acaba pagando agora pelas fraudes cometidas pelas más distribuidoras que agora pararam de sonegar", afirma Mirian.