Após três meses em queda, o preço do álcool voltou a subir no atacado, no âmbito do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). Segundo informou nesta quarta-feira (06) o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o preço do álcool etílico hidratado saiu de uma deflação de 3,11% em outubro para uma elevação de 0,39% no mês passado.

De acordo com o economista, a continuidade na queda do preço do álcool por tanto tempo foi uma surpresa. Isso porque no último trimestre do ano esse produto sofre com a entressafra da cana-de-açúcar, que diminui a oferta no mercado interno e afeta os preços dos seus derivados, como o álcool. "A safra de cana-de-açúcar e a produção de álcool nesse final de ano foi realmente uma surpresa. O crescimento da produção de cana-de-açúcar em 2006 foi da ordem de 10%. Isso é muito", disse explicando que esse cenário fez com que o período característico da entressafra não influenciasse os preços do álcool e da cana para cima – como ocorre todo final de ano.

Ele lembrou os problemas enfrentados pelo setor sucroalcooleiro no final do ano passado, quando a demanda por cana e por álcool superou a oferta disponível, causando grandes problemas no mercado interno. "Isso não ocorreu este ano", disse.

O comportamento do álcool, registrando alta em novembro, ajudou a diminuir a intensidade da deflação no setor de combustíveis e lubrificantes no atacado como um todo. A queda de preços nesse setor passou de -1,05% em outubro para -0,99% no mês passado. Além disso, Quadros informou que a perda de força no recuo dos preços dos combustíveis também foi influenciado pelo enfraquecimento na deflação no preço dos vários combustíveis – que passou de -8,71% em outubro para -4,68% em novembro.

"O comportamento do álcool, junto com o de óleos combustíveis, fez com que a queda nesse setor diminuísse o ritmo no atacado", admitiu Quadros. De acordo com ele, esse cenário poderia ter contribuído para elevar a inflação no atacado medido pela IPA-DI de outubro para novembro. Porém, a taxa desse indicador acabou desacelerando (de 1,16% para 0,75%) devido à forte queda dos bovinos no atacado (-0,71%).