O índice de preços recebidos pelos agricultores (IPR) caiu 0,75% em julho, perdendo 0,55 ponto percentual em relação a junho de 2005 e mantendo a tendência de queda. Os cálculos são do pesquisador Nelson Batista Martin, do Instituto de Eco nomia Agrícola, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Os preços recuaram no quarto mês consecutivo, mas ainda mantém uma variação positiva de janeiro a julho deste ano de 4,20%.

Segundo Martín, a quedas do IPR "foi fruto das fortes perdas nas cotações dos produtos de origem animal e das commodities agrícolas nos mercados internacionais, da valorização do real e da estagnação nos níveis de consumo no mercado interno".

Em julho, dos 19 produtos pesquisados, sete apresentaram aumento no preço (algodão, banana, cana-de-açúcar, feijão, laranja, tomate e suíno). "Entre os vegetais, a alta nos preços de seis produtos gerou elevação de 1,14% no índice do grupo. Já no segment o animal, a queda nas cotações de três produtos reduziu em 4,15% os preços deste grupo. O resultado final foi o recuo de 0,75% no índice geral de preços agrícolas em julho."

Nos primeiros sete meses deste ano, a variação acumulada do IPR foi de 4,20%, em comparação com 1,41% do IGP-M e 2,93% do IPC-Fipe (estimativa). "Isto indica ganho do poder de troca dos agricultores de 2,79 pontos percentuais em relação ao IGP-M e de 1,2 7 ponto percentual frente ao IPC-Fipe, no ano."

Segundo o levantamento, no período de janeiro a julho dez produtos apresentaram aumento no preço, com destaque para feijão e tomate, que tiveram aumento acumulado superior a 20%. Os preços da batata, cana-de-açúcar, cebola, laranja, milho, trigo, leite e ovos registraram aumentos inferiores a 20%, enquanto nove produtos tiveram reduções no preço .

Nos últimos doze meses, o índice acumulado apresentou variação positiva de 14,10%, em comparação com 5,38% do IGP-M e 6,10% (estimado) do IPC-Fipe. Assim, os preços agrícolas, nos últimos 12 meses, apresentam ganho de 8,72 pontos percentuais em relação a o IGP-M e de 8,0 pontos percentuais frente ao IPC-Fipe superiores aos observados no mês anterior.

Nos últimos 12 meses, sete produtos apresentaram crescimento positivo no preço, dos quais quatro com altas superiores a 20% e outros três com taxa inferior a 20% .

Martin afirmou que o feijão manteve a posição de destaque de alta no acumulado de doze meses, com +114,00%, e também ao longo deste ano, em função da menor oferta tanto na safra das águas como da seca, do ano agrícola de 2004/05.

No período de doze meses também é destaque a queda de preços do arroz (-36,47%), "em razão do crescimento da safra, estoques elevados, pressão das importações do Mercosul e da baixa efetividade da política de preço mínimo de garantia do Governo Federal". A soja também vem mantendo baixa expressiva de preços nos últimos doze meses (-19,03%), "devido à elevação substancial da oferta mundial e da valorização do real, atingindo a mesma cotação observada para o mês no ano de 2002".

Segundo Martin, no acumulado de 2005 o destaque de baixa acumulada coube aos suínos, mesmo com a recuperação de suas cotações nos últimos dois meses, pois vêm enfrentando um mercado interno muito fraco, oferta crescente e exportações aquém do esperado. Em julho de 2005, o tomate apresentou a maior alta (+35,29%), em razão de uma menor oferta no período.