Cerca de mil profissionais de diferentes áreas foram capacitados pela Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e Comitê Organizador Local para atuar no atendimento a visitantes em março, quando serão realizadas em Curitiba as reuniões das Nações Unidas sobre biodiversidade e biossegurança. Pelo menos quatro mil pessoas serão capacitadas até o final de fevereiro.

A estimativa é que a cidade receba em torno de seis mil visitantes durante a 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3) e da 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8).

Além dos membros das delegações dos 187 países e da Comunidade Européia, signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, estarão presentes observadores de países não-membros, representantes dos principais organismos internacionais, organizações acadêmicas, não-governamentais, empresariais, lideranças indígenas, jornalistas estrangeiros e observadores. Além das reuniões oficiais, dezenas de eventos paralelos estarão acontecendo também em Curitiba.

Até agora, foram preparados agentes municipais de trânsito, policiais militares do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), empregados de dois shoppings da cidade e funcionários da Prefeitura de Curitiba. A partir da semana que vem, será a vez dos taxistas, fiscais do transporte coletivo e funcionários da Prefeitura de São José dos Pinhais.

Durante o curso realizado na tarde desta terça-feira (24), na Unilivre, agentes de trânsito e policiais do BPTran receberam orientações sobre quem são e como deverão ser recebidos os visitantes. "O turista quer a nossa atenção. Precisamos mostrar que queremos ajudar. É preciso ser solícito. E isso vale para todos os visitantes que venham a Curitiba", alertou Carlos Eduardo Guimarães, do Instituto Municipal de Turismo.

Lembrando que a média de permanência do turista convencional em Curitiba é de cinco dias, Guimarães disse que é preciso dar atenção diferenciada às delegações que virão às conferências, já que esses visitantes permanecerão até três semanas na cidade. "Precisamos fazer com que se sintam em casa", completou.

O Sargento David Phelipe, do BPTran, que participou do curso, elogiou o conteúdo das aulas ao lembrar que para o turista em geral o policial militar já é uma referência e uma fonte de informações. "No caso destes eventos da ONU é bom sabermos o perfil das pessoas que virão a Curitiba e de suas expectativas a respeito do que a cidade pode oferecer. Turista bem recepcionado e bem tratado fala bem da cidade", considerou.

Para a agente de trânsito Lucinei Xavier, o curso é uma ferramenta para receber outros turistas. "Nós que estamos na rua, fardados, ficamos muito próximos das pessoas que vêm passear em Curitiba. É importante que a gente esteja sempre atualizado para não dar informações erradas", constatou.

Sensibilização

Um dos módulos do curso que mais chama a atenção dos participantes é a sensibilização feita pelas equipes da educação ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. No curso desta semana, a educadora e bióloga Samira Leme procurou relacionar o evento com a rotina de cada participante. "É importante que vocês se situem nesta discussão ambiental, entendam o que está acontecendo no nosso planeta e o que cada um pode fazer para contribuir", disse ao iniciar os trabalhos. Com ilustrações e fotografias ela provocou a reflexão dos alunos sobre a importância da preservação da biodiversidade.

Ela destacou algumas das principais causas da perda da biodiversidade no mundo, como a degradação e fragmentação de habitat, a invasão de espécies introduzidas (como o mexilhão dourado na Usina de Itaipu), as mudanças climáticas e a sua relação com a poluição atmosférica, a exploração excessiva de espécies vegetais e animais, a prática da agricultura e pecuária intensivas. No final da atividade, a educadora citou algumas práticas ambientais simples que podem ser feitas por todos.

Os participantes dos cursos de capacitação também recebem orientações sobre o que serão os dois eventos, inclusive a contextualização histórica da Convenção sobre Diversidade Biológica, que nasceu durante a Rio 92. Conceitos de biodiversidade e biossegurança, onde estão inseridos conceitos de transgenia, biotecnologia e biopirataria, também são explorados. Conforme o grupo a ser capacitado, os participantes ainda recebem informações sobre o planejamento urbano de Curitiba.