A Prefeitura vai apresentar no jantar de comemoração do Dia do Feirante, neste domingo (28), os resultados preliminares do projeto Passarela Saudável, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Abastecimento, para levar educação alimentar à população. Um dos dados mais interessantes a ser apresentado aos feirantes é o de uma avaliação feita pela equipe de nutricionistas do programa, junto à freguesia das feiras do Alto da Glória e Rebouças. Das 145 pessoas avaliadas pela equipe, 61% estão obesas ou acima do peso.

Os dados serão apresentados aos feirantes com o propósito de conquistar a adesão destes comerciantes ao projeto Passarela Saudável.

"Queremos justamente mostrar a importância do projeto para a sociedade", diz o secretário municipal de Abastecimento, Antônio Poloni. A adesão dos feirantes é justificada: calcula-se que 10 mil pessoas freqüentam os 41 pontos de feiras existentes na cidade.

"Com a participação efetiva dos feirantes e o envolvimento dos consumidores, a Prefeitura abre mais uma frente de ação para corrigir problemas de saúde relacionados a alimentação inadequada", afirma Poloni.

Segundo o secretário, os dados da avaliação nutricional indicam que a maioria dos consumidores das feiras mantém alimentação inadequada e não pratica atividade física. "O projeto da Prefeitura pretende sensibilizar essa parcela da população a adotar hábitos alimentares mais saudáveis", explica Poloni.

A avaliação é feita por nutricionistas da Prefeitura e por estagiárias dos cursos de Nutrição da Universidade Federal do Paraná e Pontifícia Universidade Católica, instituições parceiras da prefeitura no projeto Passarela Saudável.

No evento de comemoração aos feirantes, a Secretaria do Abastecimento vai montar uma barraca para divulgar, junto aos 400 comerciantes, as ações e resultados obtidos com o projeto piloto Passarela Saudável, que foi lançado em julho e vem sendo nas feiras do Alto da Glória e Rebouças. Nesta fase inicial, o programa já envolve 112 feirantes.

A fase experimental do projeto termina dia 17 de setembro. Até agora o projeto já atendeu 7.300 pessoas em oficinas de sucos (que ensina o melhor aproveitamento de frutas, legumes e verduras e divulga receitas) e de higienização e armazenamento de alimentos.

Um levantamento sobre o perfil de consumo alimentar dos feirantes e dos consumidores também está sendo preparado. "Esse diagnóstico vai direcionar as próximas etapas do projeto, que além das feiras deve seguir para outros equipamentos públicos e particulares da cidade", explica Poloni.

História

O Dia do Feirante é 25 de agosto. O jantar comemorativo deste domingo será em Santa Felicidade e é promovido pelos feirantes do circuito de Curitiba em homenagem a uma das práticas mais antigas de comércio.

Em Curitiba existem atualmente 41 pontos de comercialização de feiras livres, que atendem praticamente a todos os bairros da cidade. São 404 permissionários, que geram cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos.

Frutas, verduras, legumes, pescados, carnes, frios, armarinhos e o sempre presente pastel de vento são os itens da maioria das feiras da capital. Mas os curitibanos contem, também, com feiras exclusivas de produtos orgânicos e gastronômicos.

A história das feiras livres de Curitiba se confunde com a história da própria cidade. Elas surgiram no século 19 com os colonos imigrantes que traziam a produção para ser comercializada no centro da cidade.

As primeiras feiras livres foram regulamentadas oficialmente em 1968. Nessa época eram 18 pontos de comercialização, tanto na área central como em bairros mais afastados. Alguns pontos, como o da rua Duque de Caxias, no centro, e da Dom Pedro II, no Batel, estão nestes mesmos locais há 40 anos.

Muita melhoria

Em 1966, ainda antes da regulamentação, Zildo Ideo Noguti já trabalhava com venda de frutas, verduras e hortaliças nas feiras livres da cidade. Hoje, quase 40 anos depois, Noguti diz que as mudanças foram sempre no sentido de melhorias, principalmente no sistema de barracas. "A mercadoria ficava embaixo de sol e chuva, estragava. Agora, com o sistema de barracas isso não acontece mais", diz Noguti.

Feirante há 34 anos, na barraca de Fernandes Chuelong o único sinal de modernidade é uma balança eletrônica, que substituiu o antigo equipamento, de ponteiro. "O sistema de comércio é o mesmo. Mas as feiras estão bem melhores, mais bonitas e limpas", diz ele, que já atende a terceira geração de fregueses da mesma família.