O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, criticou o que chamou de "clima de terror" que estaria sendo criado pelas insinuações de que a existência de "pontos cegos" no espaço aéreo do Brasil colocam em risco a segurança dos usuários da aviação. "A quem pode estar interessando fazer esse clima de terror? Não há base lógica para esse clima porque tudo está sendo feito em nome da segurança", afirmou Zuanazzi durante palestra de abertura do 6º. Congresso da Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar)

O presidente da agência reguladora fez ainda uma menção religiosa ao comentar a crise do setor aéreo provocada por atrasos e cancelamentos de vôos. Durante a palestra, ele afirmou que "uma crise tem, para nós católicos apostólicos romanos, um sentido mais grave e desesperador" enquanto que para os cidadãos de países orientais uma crise é encarada também como uma chance de renovação e de melhoria para o futuro. "Nessa hora, eu prefiro ser mais oriental", comentou Zuanazzi, acrescentando que isso não significa ignorar que existem problemas, mas enfrentá-los com tranqüilidade.

Ao deixar o evento, o presidente da Anac voltou a afirmar aos jornalistas esperar que amanhã estejam resolvidos todos os transtornos dos passageiros nos aeroportos provocados pelos atrasos e cancelamentos de ontem. "O problema de ontem foi causado por um link que pifou e já foi consertado. Mas ainda hoje haverá reflexos do represamento de vôos ontem", comentou. Ele afirmou que não há previsão de nova reunião hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ontem à noite convocou uma reunião de emergência para discutir o problema no setor aéreo. "O presidente Lula determinou a compra do equipamento reserva e isso será feito", disse Zuanazzi, confirmando que deverá participar hoje à tarde da audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara marcada para tratar da crise no setor.