Rio (AE) – O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), afirmou hoje (15) que há "evidências" de que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP), que também é deputado federal, seja culpado de denúncias de corrupção contra o governo e defendeu que seja punido, com os outros envolvidos. A perda de mandato, explicou, é uma das possíveis punições, mas isso, ressaltou, dependerá do plenário da Casa que, por lei, julga os deputados, sendo difícil prever o que acontecerá. Severino também reafirmou sua crença na inocência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso.

"Diante das denúncias e da maneira como (as denúncias) estão sendo encaminhadas, a evidência é de que ele (Dirceu) tem alguma culpa", disse Severino para uma platéia formada em boa parte por empresários franceses, reunida em almoço pela Câmara de Comércio Brasil-França no Hotel Le Meridién, no Leme, zona sul. "E se ele tem alguma culpa, tem que pagar."

Segundo Severino, a sociedade brasileira exige que os culpados sejam punidos. "Olhe, isso vai depender do plenário. O plenário, ali, é muito difícil prever o que vai acontecer. Mas a sociedade está exigindo punição. Alguém tem que pagar. Que houve desmando, houve. Que houve falta de princípios éticos, houve. O que não pode deixar é a impunidade. Têm que ser punidos aqueles que fizeram por onde a sociedade exigir que tenham respeito ao decoro parlamentar, aos princípios éticos, aos princípios morais. Não podemos botar a mão sobre nenhum daqueles que tenham ferido esses princípios."

Em tom irônico, o presidente da Câmara declarou não acreditar que as investigações acabem em pizza. "Só conheço pizza em restaurante", brincou.

Impeachment – Segundo homem na linha de sucessão – logo após o vice-presidente -, Severino disse que é "claro" que está preparado para a possibilidade de assumir a Presidência da República, no caso de um processo de impeachment atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José Alencar.

"Claro, estou preparado para tudo", afirmou, após seu primeiro compromisso público do dia no Estado, um encontro com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, para receber um pedido de instalação de uma Assembléia Constituinte. "Eu, quando assumi a presidência da Câmara, a imprensa não acreditava. E eu mostrei que estou desempenhando à altura a minha função."

Severino afirmou esperar que o processo de impedimento não aconteça, porque criaria uma situação difícil para o Brasil. "Não vi ainda motivos para que se possa pedir o impeachment do presidente, mas, se acontecer, eu tenho que fazer cumprir o que a Constituição reza", declarou. "Assumiremos e faremos a convocação das eleições dentro do parlamento para o novo presidente." O presidente da Câmara declarou preferir ficar com os 30% de eleitores que acham que Lula não sabia da corrupção "e esperar que se prove alguma coisa de que o presidente participou". "Se ele participou, temos que puni-lo também. Com impeachment. A punição é essa."

Severino também elogiou o que chamou de "humildade" do presidente, ao reconhecer que foi traído por auxiliares. "Acredito que ele não sabia. Ninguém é traído sabendo."