Brasília – O presidente interino do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Valmir Ortega, disse hoje (3) que a atuação do instituto no Pantanal, ampliando a fiscalização, representa um esforço para diminuir a pressão que a região tem sofrido pelo desmatamento.

Ele lembrou que, no mês de janeiro, três siderúrgicas da região foram multadas em R$ 20 milhões, por exploração ilegal de carvão. Nesta semana, o Ibama aplicou multa de R$ 6 milhões aos responsáveis pelo contrabando de madeira na fronteira com a Bolívia.

Ortega participou hoje (3) de uma reunião com técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da organização não-governamental Conservação Internacional para debater a criação de um grupo de trabalho responsável pelo monitoramento e refinamento das técnicas e instrumentos de controle das perdas anuais de vegetação nativa no Pantanal.

Segundo Ortega, o encontro serviu para examinar um conjunto de estudos e avaliar a metodologia de cada uma dessas instituições para combater o desmatamento. "Dessa forma, temos uma avaliação dos dados mais precisa para tomar decisões no sentido de ampliar a fiscalização e o controle sobre o desmatamento na área", afirmou.

De acordo com Ortega, embora se saiba que tem havido "um crescimento significativo do desmatamento do Pantanal", o Ibama não dispõe de dados completos sobre a extensão disso. "Estamos apurando os dados que os diversos estudos têm, para chegarmos a um número mais próximo possível do real". Ele lembrou que, no caso do Pantanal, a planície de inundação que caracteriza a região, com uma vegetação rasteira e pastagem nativa, dificulta a avaliação do desmatamento.

Segundo ele, outro fator que contribui para o desmatamento na região é a expansão da chamada "pastagem exótica", que substitui o capim nativo por braquiária (capim específico para alimentação de gado), e permite maior expansão das fazendas de gado.

De acordo com a diretora do Programa Pantanal da ONG Conservação Internacional, Mônica Barcelos, a estimativa é de que, até 2004, 17% da área do Pantanal já haviam sido desmatados. "Para a Bacia do Alto Paraguai, onde o Pantanal está inserido, essa porcentagem sobre para 44,5%", observou. Ela alertou sobre um dado que considera ainda mais preocupante. "Entre 2000 e 2004 a taxa com que esse desmatamento tem ocorrido chegou a 2,3%. Se isso for mantido, em 45 anos teremos perdido toda a vegetação nativa do Pantanal".