Porto Alegre (AE) – O presidente do PT do Rio Grande do Sul, David Stival, confirmou hoje, em depoimento à Polícia Federal, em Porto Alegre, que o partido recebeu R$ 1,05 milhão das empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, conforme relato do delegado Luiz Nestor Contreira.

Contreira ouviu o depoimento de Stival como parte de um inquérito aberto pela PF a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) para investigar declarações dele sobre a existência de um caixa dois.

Stival havia admitido ontem (11) que a legenda recebeu o dinheiro de Valério. No depoimento à PF, Stival disse que o dinheiro foi usado para pagar "dívidas decorrentes de campanhas eleitorais", relatou o delegado.

Conforme o delegado, Stival falou de forma genérica sobre a existência de caixa dois nos partidos, mas não indicou um caso concreto.

Contreira ressaltou que este foi o primeiro depoimento do inquérito e outras testemunhas terão de ser ouvidas antes que seja possível concluir pela existência ou não de crime eleitoral.

Ele identificou, no entanto, "indícios" do delito. "É necessário a materialidade do delito", explicou.

Stival respondeu a cerca de 40 perguntas durante o depoimento. O dirigente disse que o dinheiro foi obtido em cinco momentos, sendo um deles por meio de dois cheques recebidos pelo ex-tesoureiro do partido no Estado Marcelino Pies e outros quatro repasses ao filiado Marco Trindade, segundo o relato do delegado.

"Não dá para dizer que o PT é o patinho feio", afirmou Stival, ao chegar à PF.

O dirigente petista disse que falava de "um sistema" que existe na política brasileira nas referências à existência de caixa dois. Ele defendeu que a PF investigue todos o s partidos e questionou a prestação de contas de adversários na eleição de 2004. "Tem candidatos que declararam R$ 300 mil e nós declaramos R$ 4 milhões", comparou, para deduzir que "alguma coisa está errada, não só no PT".

O presidente do PT gaúcho não falou com a imprensa após depor. Ele deixou o prédio da PF por uma porta lateral. Por solicitação do MPE, além de analisar as declarações de Stival sobre o caixa dois, a PF ampliará a investigação para as contas das campanhas eleitorais. O delegado disse que a análise deve começar com a campanha de 2002 – quando o presidente nacional do PT, Tarso Genro, disputou o governo do Estado -, mas nada impede que retroceda para outros anos ou avance para 2004.