O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, divulgou, neste sábado, nota em que contesta informações publicadas na edição deste final de semana da revista Veja.

A reportagem afirma que Vidigal é citado numa conversa telefônica entre integrantes da quadrilha do argentino César Arrieta, apontado como um dos grandes fraudadores da Previdência. A conversa teria sido gravada pela Polícia Federal. A revista também cita o fato de um apartamento de três enteados do presidente do STJ ter sido alugado a Arrieta em São Paulo.

Na nota, o presidente do STJ diz que pediu ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, uma investigação sobre a conversa captada pela PF em que ele é citado. Diz também que nunca beneficou Arrieta em decisões judiciais, tendo, ao contrário, negado a ele um pedido de habeas-corpus, há mais de três anos.

Vidigal afirma ainda que não tinha conhecimento dos nomes das pessoas que estavam alugando o imóvel de seus enteados. "Na ocasião, maio de 2004, não havia nada que se soubesse contra o inquilino e o seu avalista. Declaro, mais uma vez, que até então eu apenas sabia que o apartamento estava sendo alugado", diz o presidente do STJ.

O ministro acrescenta que toda a negociação em torno do aluguel do imóvel foi conduzida por corretoras e que a transação visava criar uma fonte de receita aos seus enteados, que enfrentavam dificuldades diante da recusa do pai a ajudar nas despesas de escola e alimentação.

A reportagem de Veja menciona ainda que partiu do gabinete do ministro, em Brasília, um fax à administradora do condomínio para autorizar a entrada no apartamento de um dos integrantes da quadrilha. Vidigal disse estranhar o fato e informa que abriu uma sindicância para investigar o caso.

Além disso, segundo a revista, o ministro teria viajado ao Chile para participar de um seminário, com despesas pagas pela Amil, empresa gestora de planos de saúde. Na semana passada Vidigal tomou decisão que beneficia as administradoras de planos de saúde.

O ministro afirma que viajou a convite do Instituto dos Magistrados e que pagou suas despesas pessoais. E nega ter havido qualquer relação entre a viagem e a decisão tomada na semana passada. "Seria muito pobre em tudo, em espírito e vergonha, o país em que um magistrado para decidir a favor do Estado tivesse que se vender por uma viagem de avião e algumas horas de hotel, sob auspícios da iniciativa privada", diz.