Nenhum dos parlamentares denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento com a máfia das ambulâncias será ouvido pela CPI dos Sanguessugas. A informação é do presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), ao argumentar que o tempo de trabalho da comissão é exíguo – são 60 dias, no máximo – e será apresentado relatório parcial com o resultado preliminar das investigações da comissão de inquérito. A Procuradoria já pediu ao Supremo o indiciamento de 15 parlamentares e, nos próximos dias, pretende solicitar de mais 30 ou 32 congressistas.

"Entendo que os parlamentares apontados por envolvimento com o esquema não devam ser inquiridos pela CPI. Se chamássemos todos eles para depor, iríamos inviabilizar a comissão", afirmou Biscaia, durante a primeira reunião da CPI. Ele defendeu que a comissão dê um prazo, ainda a ser definido, para que os parlamentares envolvidos se manifestem por escrito à Comissão. "Cerca de 45 parlamentares deverão ser denunciados ao Supremo. Esses inquéritos estão sob sigilo de Justiça. Uma vez identificados esses parlamentares, vamos dar um prazo para que eles apresentem suas defesas", disse.

As investigações da comissão de inquérito serão baseadas nas apurações e documentos da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União.

Na semana que vem, a CPI deverá ouvir o depoimento do deputado Robson Tuma (PFL-SP), que foi relator da comissão de sindicância da Câmara que chegou a iniciar investigações dos parlamentares envolvidos com a máfia das ambulâncias. A Comissão quer que a corregedoria envie os dados sigilosos sobre o suposto envolvimento de deputados encaminhados à Câmara pela Justiça Federal de Mato Grosso. "A dificuldade desta CPI é quebrar o corporativismo da Câmara. É preciso saber quem está aqui para investigar e quem está aqui para ser cúmplice", reclamou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).