Ao discursar na abertura do XXII Encontro Nacional de Comércio Exterior, no Rio de Janeiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso se mostrou otimista em relação ao crescimento das exportações brasileiras e à estabilidade da economia que, segundo ele, resistiu a cinco crises internacionais nos últimos oito anos.

O presidente admitiu que a disparada do dólar contribuiu para o aumento das exportações, mas lembrou que as medidas adotadas por seu governo foram mais importantes para colocar o Brasil no mercado internacional. Para ele, não se pode esquecer que a influência do câmbio também tem efeitos negativos e perigosos para a economia.

?Nós não queremos que os efeitos, eventualmente maléficos, da taxa de câmbio sejam os únicos responsáveis pela exportação. Os maléficos são para os custos das importações e, portanto, para o controle da inflação. Nós não queremos isso e não é verdade que as nossas exportações tenham crescido apenas porque houve uma taxa de câmbio mais favorável?, destacou o presidente.

O presidente voltou a defender a participação do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), enfatizando que a questão deve ser discutida do ponto de vista comercial e não da soberania nacional. Ele reafirmou a necessidade do Brasil participar da Alca para vender seus produtos e considerou fundamental a continuidade das negociações ?sem medo de fantasmas, fazendo sempre uma análise pragmática para que não sejamos surpreendidos por medidas unilaterais de antidumping ou por picos tarifários ou, ainda, por subsídios que não têm condições de ser razoavelmente sustentados. Já estamos organizando o pensamento brasileiro, com os nossos empresários, técnicos, negociadores e com o setor produtivo para que tenhamos a capacidade de poder dizer sim e não de acordo com os interesses comerciais do país?.

Para o presidente, o Brasil tem que encarar a Alca como já faz com o Mercosul e também com as negociações com a União Européia. Segundo ele, o Brasil tem tido persistência na busca de outros mercados e citou, como exemplo, os acordos bilaterais com o Chile e com o México, considerados por ele como marcos pela busca da expansão de mercados para a produção brasileira.

Ainda no discurso, Fernando Henrique criticou a onda de pessimismo em torno do futuro da economia brasileira, reafirmando que os números registrados e divulgados não condizem com o caos que se imagina. ?Esse mito que estão incentivando, de que de novo há vulnerabilidade externa, não condiz com os números que estão sendo publicados e se nós repetimos esses mitos, nós vamos lá fora criar condições de instabilidade no mercado para o Brasil, sem necessidade, no que diz respeito à questão da inserção do Brasil no fluxo internacional de capitais?, reclamou ele.

No final do discurso, Fernando Henrique disse acreditar que será difícil para o próximo presidente assumir o cargo com o pensamento contrário ao seu governo, porque as mudanças feitas foram muito fortes e estão presentes na sociedade, destacando, ainda, que a prova maior é a estabilidade econômica e a força das instituições democráticas.