O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o perdão da dívida de países pobres para que possam investir na área social. Ao participar, há pouco, da sessão especial "Financiando a Guerra contra a Pobreza", no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Lula sugeriu que o Fundo Monetário Internacional (FMI) fizesse um acordo com os países mais pobres, com dívidas junto ao Fundo, para investir o dinheiro referente ao pagamento em áreas como educação ou agricultura.

Lula reforçou a tese de que, para acabar com a pobreza, é preciso torná-la um problema de caráter político. "Enquanto ela for tratada como um problema apenas de cunho social, não acabará nunca", afirmou. O presidente citou a sugestão apresentada na Campanha Global Contra a Fome e a Pobreza, iniciada ontem (27) em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, de criação um organismo multilateral. "Só com uma instituição séria, multilateral, para poder funcionar (a luta contra a pobreza)", observou. Para Lula, esta seria uma solução para que a troca de ocupantes de cargos do Executivo não causasse descontinuidade nas políticas públicas de combate à fome e à pobreza.

O presidente lembrou ainda que o Brasil perdoou a dívida de países como a Bolívia, o Gabão e Moçambique, e ainda brincou, arrancando gargalhadas dos integrantes da mesa de debates e da platéia, ao afirmar: "Bom, perdoamos só desses, porque também não tinha mais nenhum (para perdoar)". Retomando o tom sério, Lula enfatizou que esses países já não vinham pagando sua dívida para com o Brasil e, que certamente, se beneficiaram da decisão, embora reconhecendo que o resultado do perdão não seja imediato em termos de investimento.

Ao ressaltar que o Brasil vem crescendo nos últimos anos, Lula observou, no entanto, que a riqueza produzida no cenário de crescimento não é bem distribuída, gerando pobreza.