O petroleiro Prestige, cujo vazamento de óleo provocou uma maré negra no litoral da Galícia, perde 125 toneladas de combustível por dia e tem 14 rachaduras em seu casco. A informação foi dada hoje pelo vice-primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, com base nas observações da comissão científica formada pelo governo espanhol encarregada de analisar as imagens feitas pelo submarino francês Nautile.

“A estimativa da comissão é que esteja saindo cerca de 80 toneladas da proa e mais 45 da popa por dia”, disse Rajoy. “O óleo que está vazando demora mais ou menos um dia para chegar à superfície.”

O casco do petroleiro apresenta 14 fissuras, em lugar das nove anunciadas na semana passada. Nove rachaduras foram vistas na proa e cinco na popa do petroleiro, que está a cerca de 3.600 metros de profundidade e 250 quilômetros da costa da Galícia. “Não há previsão de novas rachaduras”, afirma.

O vice primeiro-ministro anunciou também que uma nova mancha de óleo de mil quilômetros quadrados e composta por 31 toneladas de óleo combustível foi avistada no local do naufrágio. Para o chefe da comissão científica, Emilio Lora Tamayo, “o óleo ainda contido no petroleiro demoraria entre cinco e 39 meses para vazar”.

O Prestige sofreu uma avaria no dia 13 de novembro, no litoral da Galícia, noroeste da Espanha, e seis dias depois afundou no Oceano Atlântico com 77 mil toneladas de óleo combustível.

O governo espanhol considera que a catástrofe ecológica tem “autores com nome e sobrenome” que devem responder “com todas as conseqüências” diante da Justiça, segundo o ministro da Justiça da Espanha, José Maria Michavila. Ele revelou também que o advogado-geral do Estado, Arturo Tizón, recebeu do governo instruções para impulsionar as ações legais pertinentes para apurar as responsabilidades do acidente.

Com isso, pretende-se exigir punição ao armador grego e capitão do Prestige e à empresa que fretou a embarcação, por perdas e danos.