A decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre a liberação ou não da comercialização do milho transgênico LibertyLink, da empresa alemã Bayer CropScience só deverá ser conhecida em abril. Isso porque a reunião desta quarta-feira (22) da comissão foi suspensa pouco depois da abertura dos trabalhos. O Ministério de Ciência e Tecnologia marcou para a tarde de hoje, na sede da CTNBio, em Brasília, uma coletiva em que o presidente da comissão, Walter Colli, irá explicar os motivos da suspensão.

O cancelamento acontece no dia da publicação no Diário Oficial da União das alterações das regras para aprovar pesquisas e o comércio de transgênicos. Integrantes do movimento ambiental Greenpeace foram até a sede da Agência Nacional de Águas (ANA) para acompanhar a primeira reunião após as mudanças e protestar contra a liberação do comércio do milho geneticamente modificado.

Segundo a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Gabriela Vuolo, o cancelamento ocorreu porque o presidente da CTNBio entendeu que não haveria um ambiente favorável para a decisão. Depois de muita discussão e polícia presente no local, depois de desacordos e desentendimentos entre o presidente da CTNBio e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o presidente resolveu encerrar a reunião por entender que não havia ambiente e que o calendário vai seguir normalmente, sendo que o próximo encontro está previsto para acontecer nos dias 18 e 19 de abril, contou.

Os desentendimentos começaram depois que representantes do Greenpeace decidiram reivindicar participação na reunião, o que teria gerado questionamentos entre os conselheiros. O Greenpeace veio aqui hoje participar da reunião da CNTBio como ouvinte observador, sem direito a voz e sem direito a voto, conforme está previsto na Constituição e também no regulamento interno da comissão, argumentou Vuolo.

Fizemos um requerimento formal no dia 15 que não foi respondido e por isso viemos cobrar uma resposta. No entanto, os membros da comissão se recusaram a votar o requerimento na nossa presença, afirmou a ambientalista. De acordo com Vuolo, os três representantes do Greenpeace não levavam faixas, estavam vestidos adequadamente e só se manifestaram com a permissão do presidente da CTNBio. O que estão querendo esconder da sociedade civil? Se de fato é uma comissão técnica, séria, com critérios e com cautela, por que não permitir a participação da sociedade civil como ouvinte de uma reunião, questionou.