A informação ou a confirmação da informação de que há mais obesos que miseráveis no Brasil é assustadora. É possível retirar um sem-número de conclusões, todas elas preocupantes para o País. A mais reveladora delas é que ainda não se resolveu por completo o problema de concentração de renda no Brasil.

O formidável sucesso do Bolsa Família como redutor da desigualdade social é inegável. Mas, ao mesmo tempo, percebe-se que a renda produzida no País ainda não chegou aos mais pobres, pelo menos no que diz respeito ao que não é repassado pelo governo federal. Diminuem os miseráveis num ritmo menor que aumentam os obesos e os preços dos alimentos.

Mas o problema principal da obesidade é o de saúde pública. Hoje, o Brasil já reconhece o sobrepeso como caso de risco para a população por mais que a própria população não veja desta maneira. Caso visse, não proliferariam as lanchonetes de fast-food, as indústrias de salgadinhos e snacks e as fábricas de chocolates. Sem contar a indústria de bebidas. Há cada vez mais variedade, mais cores, mais sabores, mais faixas de preço.

O resultado é que o brasileiro come mais, come mal e engorda. Pior: as crianças e adolescentes, que são mais suscetíveis ao desejo dos salgadinhos e refrigerantes, tornam-se obesos jovens. Mais cedo eles são obrigados a restringir alimentação, forçados a fazer exercícios físicos e até mesmo consumir remédios de distribuição controlada.

Como a atração pelas ?comidinhas? é maior que pelos exercícios, os jovens se transformam em adultos obesos, sofrendo com doenças como diabetes, hipertensão e males cardíacos. Vivem situação de risco, por conta de atitudes tomadas desde crianças.

Por causa disso, o poder público precisa agir rapidamente. Admitir que a obesidade é uma doença foi o primeiro passo. Agora, é necessário tomar atitudes drásticas, inclusive atingindo a publicidade (tal como foi nas restrições aos cigarros e às bebidas alcoólicas). E cuidar dos obesos, tanto quanto dos miseráveis. Afinal, são todos brasileiros.