Brasília (AE) – O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse hoje (19) ter dados mais minuciosos do que a Polícia Federal (PF) sobre o suposto recebimento de propina pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). "Tenho mais informações do que a Polícia", afirmou, sem dar detalhes. "Recebi dados mais concretos, materiais."

De acordo com Souza, as investigações sobre o pagamento de uma mesada a Severino pelo empresário Sebastião Buani são bem mais simples do que as apurações sobre o ‘mensalão’ que teria sido pago a parlamentares. Ele sinalizou que, com as informações já reunidas, é possível concluir rapidamente as apurações.

No entanto, o presidente da Câmara poderá se livrar do risco de ter os seus sigilos quebrados. A PF sugeriu essa medida ao enviar para o Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito. Mas hoje Souza disse que "talvez dispense a quebra de sigilo". O relator do caso no STF, ministro Gilmar Mendes, solicitou hoje à Procuradoria-Geral que se manifeste sobre o pedido da PF.

Como procurador-geral da República, cabe a Souza pedir no STF a abertura de inquéritos e ações penais contra autoridades como parlamentares. Mas se as expectativas se confirmarem e Severino renunciar ao cargo o caso será transferido para a Justiça de primeira instância. Isso porque, na semana passada, o plenário do STF decidiu que quando uma autoridade deixa o posto ela perde o direito ao chamado foro privilegiado.

Na semana passada, após Buani ter apresentado cópia de um cheque de R$ 7,5 mil que afirma ter entregue a Severino, Souza disse que estava sendo confirmada a versão do empresário. "A versão do cidadão (Buani) vai se confirmando", disse o procurador. "O quadro já está quase definido. É mais um indício."