Depois de enfrentar um excesso de oferta no ano passado, que provocou a queda dos preços do leite no mercado interno, o setor lácteo brasileiro deverá atingir equilíbrio na produção no mercado interno e um pequeno superávit na balança comercial do setor. A avaliação foi feita pelo diretor do departamento econômico da Confederação Brasileira das Cooperativas de Leite (CBCL), Vicente Nogueira.

De acordo com ele, a produção no ano passado, principalmente a partir do segundo semestre, cresceu 13%, para 25 bilhões de litros de leite. Para este ano, a expectativa é de um incremento menor, de 3%, que chegaria a 25,7 bilhões de litros.

Apesar disso, Nogueira ressalta que o setor conseguiu uma boa performance no ano passado, mesmo com a relação desfavorável no câmbio. O saldo da balança comercial de lácteos em 2005 foi de US$ 8,9 milhões e as exportações foram recorde, de US$ 130 milhões, volume 36,8% superior ao de 2004.

No mercado interno, ele ressalta que o aumento do consumo dependerá ainda de algumas variáveis como crescimento da economia e da renda da população. Por outro lado, um dos fatores positivos é que não há no momento pressão nos preços provocada pelo aumento nas cotações de insumos, principalmente milho e soja.

No mercado internacional, as perspectivas são de manutenção dos superávit da balança comercial de lácteos, obtidos pela primeira vez em 2004, embora em um ritmo um pouco menor. Conforme Nogueira, os grandes produtores já perceberam que as exportações são uma alternativa à queda de negócios no mercado doméstico e por isso começam a investir em aumentos de produção e itens mais elaborados. Para atingir novo superávit, os produtores terão que continuar em busca de novos mercados.

Nos dois primeiros meses deste ano, o saldo da balança comercial de lácteos foi negativo em US$ 800 mil, sendo que as exportações chegaram a US$ 20,8 milhões e as importações US$ 21,6 milhões. "O ano de 2006 pode ser o ano em que o Brasil terá acesso aos mercados russo e chinês e aí as exportações podem superar as previsões", avalia. A expectativa do setor é de que ainda no primeiro semestre sejam iniciados os primeiros embarques de produtos para o México, um dos maiores importadores mundiais de lácteos, com uma demanda anual de 1 bilhão de litros.