Cerca de 120 produtores de mel participaram na sexta-feira (22) em Curitiba do Encontro Estadual de Apicultura. Durante o evento, foi aprovada a instituição da Câmara Técnica do Complexo Apícola. A iniciativa era uma reivindicação da Federação de Apicultores do Paraná (Fepa) junto ao vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti. Para o vice-governador, a criação da Câmara vai reforçar o trabalho de agricultores familiares que se dedicam à atividade há anos. Ele destacou a importância do segmento no agronegócio paranaense. ?Nossa apicultura destaca-se pela qualidade dos produtos que possui?, disse.

O Encontro serviu para discutir o regimento interno da Câmara. Entre os desafios, está o de contribuir para a formulação de políticas necessárias ao desenvolvimento da apicultura. Segundo os participantes, o segmento deve se desenvolver paralelamente ao incentivo à agricultura de polinização e conservação do meio ambiente.

Segundo o médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), Roberto de Andrade Silva, o próximo passo será a aprovação da Câmara pelo plenário do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Cedraf), que vai se reunir no dia três de agosto.

Além de apicultores, o Encontro reuniu técnicos da Secretaria da Agricultura e da Emater, que se dedicam à assistência técnica, pesquisa e extensão rural dirigidas a agricultores familiares, envolvidos na produção de mel e seus derivados.

O presidente da Federação de Apicultores do Paraná (Fepa), Lothario Lohmann, destacou a importância de reunir produtores e técnicos em defesa da apicultura paranaense. ?Com este Encontro, damos início a uma apicultura nova no Estado do Paraná?, concluiu.

Estudo

Durante o evento foi apresentado o Estudo da Cadeia Produtiva da Apicultura Paranaense, desenvolvido pelo Sebrae-PR. Uma das questões debatidas foi a agregação de valor aos produtos da apicultura.

Segundo o consultor de estratégias e diretrizes do Sebrae-PR, Ricardo Schiffini Dellaméa, o Paraná envia produtos ?in natura?, com baixo valor agregado, para o Exterior e outros Estados brasileiros, como Santa Catarina e São Paulo. ?A atividade acaba gerando maior renda e empregos fora do Estado?, afirmou.

Dellaméa lembrou a existência de atravessadores que agregam valor à produção e chegam a exportar produtos com marca própria. ?Muito do mel e geléia real paranaenses chegam ao Japão como ?elixir da juventude?. O pote com o produto é vendido a US$ 50,00?, alertou.

Mercado

De acordo com o Estudo do Sebrae, os maiores mercados de mel estão fora do Brasil. ?Devido à cultura e o poder aquisitivo da população, o consumo interno de mel no Brasil e na América Latina é baixo?.

Com o retorno da China e da Argentina ao mercado, após superarem problemas fitossanitários, e o crescimento da participação dos Estados das regiões Norte e Nordeste na produção nacional e nas exportações de mel e derivados, o aumento da produção é uma certeza. ?Com isso, pode sobrar mel a partir deste ano?, disse Dellaméa. Para ele, é preciso discutir alternativas que possam mudar a situação.

Quanto à competitividade internacional, os participantes analisaram o custo de produção, a qualidade do produto e o marketing desenvolvido em diversos países, como China, Argentina, Estados Unidos e Canadá.

Marketing

Para que o mel paranaense seja mais competitivo no mercado, os participantes do Encontro concluíram que há a necessidade de se investir mais no marketing do produto.

Segundo o consultor do Sebrae-Pr, é preciso criatividade e ações para que o mel paranaense tenha um diferencial. ?Por que não vender mel na Ilha do Mel? Também poderíamos criar uma cidade temática no Estado, que seria a ?Capital do Mel?. Por que não associar o mel às Cataratas do Iguaçu, um dos cartões-de-visita do Brasil no exterior??, questionou.

Entre as alternativas, Dellaméa sugeriu a parceria dos produtores com as indústrias de medicamentos e cosméticos. ?Poderíamos vincular o mel a ícones da saúde e da beleza brasileira. Cerca de 70% do mel brasileiro é silvestre. Isto poderia ser melhor explorado enquanto marketing?,disse.

Sucesso

Uma das experiências bem-sucedidas na apicultura paranaense está na região noroeste do Estado. Através do projeto Arranjo Produtivo Local ?Mel Rio Paraná? (APL), 128 famílias de agricultores têm na atividade a principal fonte de renda. O projeto envolve 650 pessoas do município de Porto Rico, Marilena e Diamante do Norte. Segundo o consultor do Sebrae, Marcelo Wolff, os agricultores familiares têm a oportunidade de crescer no negócio. ?Para esses produtores, o projeto está fazendo a diferença?, disse.

Wolff lembrou que o trabalho começou em 2000. Na época, apenas seis pessoas tinham interesse na apicultura. ?Cada uma delas possuía de 10 a 15 colméias?, contou. Em 2002, o número de participantes no projeto subiu para 28. ?Através de cursos técnicos em manejo, os agricultores começaram a se especializar?, disse o consultor.

Segundo Wolff, com a capacitação dos produtores, a produção de mel, que oscilava entre 10 e 12 quilos por colméia, foi superada. ?Hoje, eles produzem entre 25 e 35 quilos de mel por colméia?, disse. Com isso, a renda mensal de R$ 250,00 saltou para R$ 700,00. ?Já tem agricultor que mantém a filha em Maringá, pagando cursinho preparatório para o vestibular?, comentou. Através do projeto, toda a família do produtor é envolvida na atividade. ?A mulher do produtor colabora com a transformação do mel. Com um quilo do produto, são feitos 120 pães de mel. Isto é agregação de valor?, disse Wolff.