O diretor do Centro de Saúde Ambiental do governo do Paraná, Natal de Camargo, veio ontem à Foz do Iguaçu especialmente para conhecer os projetos ambientais de coleta de lixo reciclável e de combate ao mosquito transmissor da dengue, implantados pela atual administração municipal. Ele adiantou que o programa de coleta seletiva desenvolvido em Foz deve se tornar referência para todo Estado.

Acompanhado pelo secretário de Meio Ambiente, André Alliana, o diretor fez uma visita relâmpago de poucas horas ao Centro de Zoonoses, Aterro Sanitário Municipal e a Central de Reciclagem, na Vila C, antes de retornar no mesmo dia para Curitiba. O roteiro incluiu ainda uma passagem pelo bairro do Porto Belo, onde o diretor pôde observar o trabalho de campo desempenhado pelos agentes de endemias da Secretaria de Saúde.

Segundo Alliana, a inicitaiva de visitar a cidade partiu do próprio diretor do Centro de Saúde Ambiental, depois dele ter assistido a uma reportagem num telejornal da RPC (Rede Paranaense de Comunicação), mostrando o trabalho integrado dos agentes de saúde e dos recicladores ambientais no município. ?Ele (Natal de Camargo) ficou interessado na parceria das secretarias de Meio Ambiente e Saúde no município para acabar com os casos de dengue?, explicou.

Pela parceria, os agentes de endemias orientam a população sobre a necessidade de limpar os quintais das casas e terrenos baldios para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue e a importância da separação correta de lixo reciclável. Isso porque o lixo selecionado é recolhido a cada dois dias pelos agentes ambientais do programa Coleta Seletiva. Essa tem sido a única alternativa de renda para mais de mil pessoas em Foz.

Referência

Para Camargo, esse trabalho conjunto lançado pela prefeitura de Foz pode se tornar referência em todo o Brasil. Principalmente porque, além do foco central direcionado para eliminar ou pelo menos reduzir os índices de casos de dengue em Foz, a proposta alinha-se com as novas diretrizes dos governos estadual e federal de inclusão social. ?Não conheço no Brasil, muito menos no Paraná, um projeto integrado que vise erradicar a dengue e também incluir socialmente pessoas que já estão fora do mercado de trabalho?, disse referindo-se ao trabalho de coleta de lixo feito casa por casa pelos agentes ambientais

O diretor pretende ainda difundir o modelo para as demais cidades paranaenses, como alternativa de controlar os casos de dengue em todo o estado. ?Queremos segurar a dengue, porque esta é uma doença extremamente grave, que de tempos em tempos surge como uma forma de surtos epidêmicos?, salientou.

O diretor explicou que a principal razão para a disseminação da doença seria a existência de depósitos de água em garrafas plásticas espalhadas pelos quintais das casas e em terrenos baldios. Por isso Camargo acredita que o sistema em funcionamento em Foz do Iguaçu é a forma mais simples e eficaz para controlar a proliferação da doença. ?A nossa idéia é analisar bem o processo em operação em Foz, que consideramos o primeiro no Paraná, antes de levarmos para todos os municípios do estado?, informou.

Para o diretor, o trabalho implantado em Foz não contribui somente para a eliminação da dengue, mas também para a despoluição do meio ambiente através da coleta seletiva de lixo, além de proporcionar uma melhor condição de vida para os catadores de material reciclável. ?A proposta possibilita também o resgate social dessas pessoas que terão uma condição de vida mais digna. Com uma ação somente, vários setores da sociedade são atingidos, desde a área econômica, social e ambiental?, considera.

Hoje no Paraná, três cidades registraram índices elevados de casos de dengue. Em Foz do Iguaçu foram contabilizados 130 casos. Os números alarmantes registrados no município se devem pelas características climáticas da cidade. O clima seco, acompanhado por chuvas esparsas favorecem a difusão do mosquito da dengue. ?Entretanto, com esse modelo integrado, esperamos que nos próximos meses os números devem reduzir significativamente?, disse Camargo. No município de Paranavaí ocorreram 80 casos. Houve também um surto nas cidades de Marechal Cândido Rondom, Toledo, Pato Bragado e Guaíra.