Países da África, como Angola e Moçambique, e da América do Sul vão implantar o programa Pintando a Liberdade, do Ministério do Esporte, aproveitando a experiência brasileira. O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, disse hoje que, ainda neste mês, técnicos brasileiros seguirão para estes países a fim de repassar a tecnologia,
instalar a fábrica e fazer o treinamento de pessoal. O programa, que ajuda na ressocialização de presos e gera emprego e renda, é feito em parceria com o Ministério da Justiça.

Segundo Agnelo, uma parceria com a Petrobras permitirá, praticamente, dobrar o número de fábricas. Serão 30 novas fábricas no Brasil este ano e unidades piloto serão implantadas também, em breve, no Uruguai e no Paraguai.

O ministro explicou que o projeto utiliza a mão-de-obra direta de 12.700 presos (8,5% da população carcerária), em 53 penitenciárias do país, para a confecção de material esportivo como bolas, redes, uniformes e bolsas que são distribuídos a vários programas sociais desenvolvidos pelo ministério, como o Segundo Tempo (que oferece atividade esportiva e complementação alimentar no horário contrário ao da escola), e a escolas públicas. Cada fábrica, segundo o ministro, gera 300 empregos diretos.

Em 2003, o programa recebeu investimentos de mais de R$ 10 milhões e distribuiu cerca de 460
mil itens de materiais esportivos. Foram beneficiadas, no período, quatro milhões de pessoas e mais de 6.900 instituições.

Dados dos fundos penitenciários do estado do Paraná e do Distrito Federal – regiões que já desenvolvem o programa – mostram que o índice de reincidência carcerária é hoje de cerca de 30%, enquanto em outros estados varia entre 60% e 90%. Além disso, o detento tem a pena reduzida em um dia para cada três trabalhados e deixa a penitenciária com nova qualificação para o mercado de trabalho.