O lançamento nesta terça-feira (24) do programa de energia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um eventual segundo mandato se transformou em festa entre representantes do partido no Rio, que cantaram a vitória antecipada do próximo domingo. "Que vamos ganhar, temos certeza, mas queremos que seja de lavada, com um índice de mais de 70% para Lula", disse o coordenador do programa, Maurício Tolmasquim, que também preside a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Mesmo ausentes, os ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, enviaram mensagens acompanhando o tom festivo do evento. "A agenda não me permite compartilhar com os companheiros este momento em que antevemos as linhas traçadas para a política energética do próximo governo", disse Dilma em mensagem lida por Tolmasquim e aplaudida pelos cerca de 300 militantes que agitavam bandeiras do partido dentro do pequeno teatro de cortinas e poltronas vermelhas.

O tom de festa também ganhou ares de comício em discurso inflamado dos presidentes da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos, e do presidente do Conselho de Administração da Eletrosul, José Drummond Saraiva. Enquanto o primeiro exaltou o fato de que neste governo "não se pensa permanentemente em Wall Street", o segundo cravou que "este governo não é submisso a outros, como anteriormente a gente via acontecer".

A posição "desafiadora ao predomínio da América do Norte" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi destacada ainda no discurso do diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima. Também em tom elevado, como se estivesse num palanque, o ex-militante do PCdoB lembrou que, com Lula, a América do Sul deixou de ser "visceralmente dependente da América do Norte". Lima deixou de lado até o recorrente discurso em que costuma criticar o contingenciamento de verbas feito pelo governo federal, que prejudica novas pesquisas da ANP, para ressaltar que "no governo Lula a ANP se consolidou".

Para finalizar o discurso, Lima também deixou de lado a postura independente exigida pela agência reguladora para bradar o slogan da Petrobras como mote da ANP para os próximos anos: "Vamos em frente, rumo ao segundo mandato, porque energia é o nosso desafio", disse.

Mais contido que seus companheiros de mesa, o diretor da Petrobras, Guilherme Estrella, fez rápida participação no evento lembrando que no atual governo a companhia conquistou a auto-suficiência e conseguiu descobrir novas reservas, que somam 5 bilhões de barris, "devido à estratégia de diversificar a exploração, apostando em outras bacias, e não só em Campos, como vinha sendo feito até então".