O governador Roberto Requião e os secretários do Meio Ambiente e Recursos Hídricos Luiz Eduardo Cheida e da Agricultura e Abastecimento Orlando Pessuti lançaram, nesta segunda-feira, a programação da Semana da Árvore com a expectativa de plantar cinco milhões de mudas para recomposição da mata ciliar entre os dias 19 a 25 de setembro.

A abertura oficial foi realizada no Parque das Nascentes ? Barragem do Iraí, em Pinhais ? quando serão plantadas duas mil mudas, com a participação de 600 voluntários.

?Nesta semana estamos plantando cinco milhões de árvores e isso se inicia aqui no Iraí, do total de 90 milhões que serão plantados até o próximo ano. Um exemplo para o Brasil e uma necessidade. É uma reação do Paraná consciente com os prejuízos da devastação passada?, afirmou o governador. Ele ainda disse que só o desejo desenfreado de lucro sem uma visão de médio e longo prazo se opõe à preservação da natureza e a recuperação da mata ciliar.

O plantio faz parte do Programa Mata Ciliar e foi realizado simultaneamente nos 399 municípios do Paraná. Cada município participou do evento plantando 10 mil mudas em propriedades localizadas às margens dos rios. Cerca de 35 mil propriedades foram selecionadas pelos técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Emater de acordo com o nível de degradação.

?Enquanto crianças e outros grupos estão mobilizadas para um ato como esse, ainda existem instituições da sociedade civil que trabalham contra a implantação da reserva legal no Paraná?, destacou Requião. O governador mencionou ainda que a área onde está o Parque das Nascentes será transformada em uma Unidade Agroecológica, gerida em parceria com a que a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O promotor de Meio Ambiente do Paraná, Saint Clair Onorato dos Santos, disse que o Programa Mata Ciliar é um exemplo para o Brasil e para o mundo porque está trazendo uma mudança de conceitos no meio rural. ?Hoje está se provando que é possível modificar a natureza e o comportamento para melhor. O Governo do Estado está de parabéns pela iniciativa?, disse o promotor.

As mudas foram produzidas pelos próprios municípios que receberam viveiros do Governo do Estado com capacidade de produção de 100 mil mudas por ano. Foram investidos R$ 15 milhões na compra dos quase 300 viveiros, que têm a sua produção fortalecidas por outros 22 viveiros do IAP no estado.

De acordo com o vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, o Programa Mata Ciliar está aliado a ações como o plantio direto, recolhimento de embalagens de agrotóxicos e a merenda orgânica. ?Hoje, os agricultores estão participando dos seminários de manejo de solo para reativarmos a consciência de preservação dos recursos naturais?, destacou Pessuti.

O secretário Cheida anunciou ainda ações de reflorestamento de mata ciliar nas áreas de recarga do Aqüífero Guarani. ?Vamos comemorar a semana da árvore trabalhando. Esta ação é um exemplo de união e trabalho descentralizado, mais do que isso, uma atitude de respeito à natureza?, disse Cheida. Segundo o secretário a novidade do Programa Mata Ciliar está na adesão cada vez mais significativa dos agricultores, que antigamente viam a mata ciliar como um empecilho para o aumento na produção.

?Hoje 35 mil agricultores estão nos ajudando a plantar árvores porque elas representam a perspectiva do Paraná manter-se íntegro economicamente. Sem a mata ciliar nós perdemos, entre outros benefícios, solo, água e animais que combatem pragas?, informou Cheida.

O plantio está sendo coordenado pelos escritórios regionais do IAP e Emater e também contará com o apoio de escolas públicas estaduais, APAES, Comunidades Indígenas, Movimento dos trabalhadores Sem Terra (MST) e Cooperativas Agrícolas como a Cocamar, Cooperativa Integrada e Cooperativa Agrária Mista Entre Rios.

Evolução

A meta do Programa Mata Ciliar é o plantio de 90 milhões de árvores às margens dos rios, mananciais de abastecimento público e reservatórios de usinas hidrelétricas. Além do reflorestamento, o Programa também financia a construção de cercas para o isolamento da área próxima as margens dos rios deixando que a vegetação se recomponha naturalmente.

De acordo com os dados apresentados pela coordenadora do programa na Secretaria do Meio Ambiente, Angela Carvalho, em 2003 os 22 viveiros do IAP produziam dois milhões de mudas por ano e apenas de espécies exóticas como o pinus e eucalipto.

?Apenas entre os meses de maio e junho deste ano conseguimos produzir e plantar dois milhões de mudas de espécies nativas,? informou a coordenadora. Segundo ela, desde de 2004 foram produzidas 26 milhões de mudas para o programa, que já garantiu a recuperação de 45 mil hectares de Área de Preservação Permanente (APP) representadas pela mata ciliar.

Outros 137 mil hectares foram semeados e 10 mil hectares de áreas próximas as margens dos rios foram abandonados para que a vegetação ciliar se recomponha naturalmente. O Programa destinou ainda recursos para a implantação de 3,5 mil quilômetros de cercas para isolamento da margem do rio evitando que os animais destruam as mudas plantadas.