O aumento, há duas semanas, dos preços de produtos derivados do petróleo continua a elevar as estimativas da inflação no curto prazo. As projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro e outubro aumentaram de 0,33% para 0,35% e de 0,40% para 0,43%, respectivamente.

A longo prazo, porém, as previsões são mais otimistas, de acordo com o boletim Focus distribuído hoje pelo Banco Central, com o resultado de pesquisa semanal com uma centena de analistas de mercado sobre tendências dos principais indicadores da economia.

A pesquisa mantém a previsão da semana anterior, de IPCA de 5,21% em 2005, levemente acima da meta de 5,1%, mas com tendência de desaquecimento a médio prazo: a expectativa para a inflação dos próximos 12 meses cai de 4,77% para 4,74%, e a previsão para o IPCA de 2006 passa de 4,80% para 4,64%, se aproximando da meta oficial de 4,5%.

Essa tendência de baixa reflete a queda acentuada dos preços no atacado, pois os dois indicadores em análise apontam deflação (inflação negativa) também neste mês. No ano, o Índice Geral de Preços ? Disponibilidade Interna (IGP-DI) baixa de 1,54% para 1,51%, e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) passa de 1,65% para 1,56%.

O único aumento de inflação registrado pelo boletim Focus diz respeito aos preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, educação, água, saneamento, transporte urbano e outros). A previsão de inflação no ano para esse segmento aumentou de 7% para 7,30%, e manteve prognóstico de 4,85% em 2006.